Todos estamos implementando nossas esperanças para que o novo governo, efetivamente consiga cumprir o que prometeu durante a campanha eleitoral, fato que o Brasil precisa e mais ainda, o povo além de precisar, bem o merece.
O governo Lula, que aparece como se fosse o salvador da pátria para muitos, evidentemente não terá todas as condições que a população deseja, em termos de mudanças, de realizações, e “viradaâ€, conforme pregou durante mais de 20 anos, especialmente no primeiro ano de mandato, o que poderá acarretar enormes frustrações e até desencadear uma onda de pessimismos com conseqüências imprevisíveis, mesmo porque as esperanças do povo, já transformadas em ansiedades e até fanatismos, não comportam tamanho revés.
O PT se organizou e vem tentando chegar ao poder maior, desde a sua fundação (há mais de 22 anos). Perseguiu esta aspiração e pela quarta vez tentou chegar à Presidência da República com o mesmo candidato. Veja que o PT, desde a sua fundação, não teve outro candidato à Presidência. Somente Luiz Inácio Lula da Silva, em todos os tempos. E desta vez realizou seus sonhos, conseguindo praticamente por exclusão.
Observem que o candidato anteriormente era um barbudo, que usava camisetas, o partido era extremamente radical e intransigente. Hoje, mesmo sendo o mesmo candidato, este tem uma outra postura. Usa barbas bem aparadas, ternos finamente cortados, gravatas cuidadosamente escolhidas, seus discursos passaram por uma reciclagem incrível. O Lula mudou. O PT mudou. E também por isso conseguiu se eleger com expressiva votação.
Reverencio, tenho que aplaudir e até admirar esta brilhante conquista. Porém, tenho também profunda preocupação, porque não posso vislumbrar que este governo consiga cumprir todos os compromissos assumidos com aqueles que o elegeram, como também os demais brasileiros, os quais, mesmo que não tenham sufragado esse nome, igualmente esperam a pujança prometida, mormente nesta última campanha eleitoral, quando os eleitores mais se identificaram com as promessas amplamente divulgadas.
O plano de governo e as intenções alardeadas, julgo que não seriam exeqüíveis, nem em 15 ou 20 anos. Somente para lembrar alguns compromissos: proporcionar três refeições por dia (e todos os dias) a todos os brasileiros, escola gratuita a todos e em todos os níveis (inclusive cursos superiores), 10 milhões de novos postos de trabalho, baixar os juros, implementar consideravelmente as exportações, etc. etc.
O então candidato Lula cometeu retumbante engodo quando afirmou que: “a cada real aplicado um novo emprego criadoâ€. Se assim fosse, era só aplicar R$ 10 milhões e estaria resolvido o problema do desemprego no País. Aliás, anualmente dezenas e dezenas de empresas privadas, prefeituras, governos estaduais, autarquias e o próprio Governo Federal, aplicam mais de R$ 10 milhões e nem por isso criam 10 milhões de novos empregos.
O Brasil, com tamanha extensão territorial, com a diversidade de terras, clima, costumes, e por que não dizer, de povos diferentes, culturas arraigadas e enraizadas de longos anos, são características que merecem e necessitam atenção especial dos governantes, diferentemente do que ocorre por exemplo em Portugal, Suíça, Áustria, Dinamarca, entre outros, que embora países importantes, têm seus territórios relativamente pequenos e com isso, uma situação mais homogênea.
O povo esperançoso, precisa e faz jus que o Governo atenda seus anseios e expectativas, mas não é a mudança de uma pessoa ou de uma equipe, que o País será outro, como num passe de mágicas. Há toda estrutura, enormes entraves, colossais interesses, antiquíssimos costumes, fortíssimos corporativismos, ambição e poder que se sobrepõem aos interesses coletivos, etc.
Todos sabemos das fantásticas dificuldades de ser resolvida imensa gama de problemas, entretanto, também temos esperanças. É bem verdade que esperanças reduzidas, porque o que foi largamente prometido, evidentemente nem tudo será cumprido. Assim como ocorreu e ocorre nos governos estaduais e nas prefeituras onde o PT se fez presente, haverá o julgamento popular e os eleitores terão o direito e o dever de julgar seus governantes nas urnas, com a incumbência soberana de aprovar ou de rejeitar o governo a que foram submetidos.
Nesta nova etapa que se inicia com o governo Lula, estamos confiantes e torcendo mesmo para tudo dar certo e que o Brasil possa prosperar triunfante e vitorioso. Mas, diante de evidentes constatações, somos compelidos a indagar neste momento: e agora Lula? (José Oscar Riciardi - RG: 3.041.301)