Economia & Negócios

Reajuste da gasolina chega a 22%

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

A gasolina fica mais cara para o consumidor oficialmente a partir de hoje, mas pelo menos três postos de combustíveis de Bauru estão com os preços reajustados desde ontem e o percentual ficou bem acima do que foi anunciado anteontem pela Petrobras.

O litro da gasolina, que até então custava R$ 1,84, passou a ser vendido ontem de manhã a R$ 2,25 em um posto na quadra 26 da avenida Rodrigues Alves, na quadra 6 da avenida Getúlio Vargas e quadra 11 da avenida Nuno de Assis.

A diferença representa um aumento de 22%, ou seja, mais do que o dobro do que era previsto.

De acordo com o anúncio feito pela Petrobras anteontem, o preço da gasolina nas refinarias ficaria 12,8% mais cara, a partir da 0h de hoje. O aumento previsto para o consumidor era de 9,5%.

O aumento atingiu também o preço do álcool, diesel e gás de cozinha.

De acordo com o gerente do posto da Rodrigues Alves, José Luiz Benedito, a tendência é que o preço caia um pouco nos próximos dias. Segundo ele, o novo valor do litro da gasolina vai depender muito do comportamento da concorrência.

Se os demais postos da cidade concederem um reajuste menor do que os 22%, ele deverá seguir o exemplo.

Mesmo assim, Benedito acredita que a redução não deve ser significativa. Na opinião dele, a mudança deve envolver apenas alguns poucos centavos, não devendo ficar abaixo dos R$ 2,20.

Ele disse que antecipou o aumento porque outros postos estariam fazendo o mesmo, mas não citou exemplos.

Segundo o gerente, como o anúncio oficial do reajuste foi feito apenas na sexta-feira, muitos motoristas foram pegos de surpresa.

Por esse motivo, na opinião dele, o movimento nos postos, antes do reajuste, teria sido normal.

O anúncio surpreendeu até mesmo boa parte dos gerentes de postos.

Ontem de manhã, por exemplo, Fabrício Araújo Mendes, gerente de um posto na quadra 1 da rua Ezequiel Ramos, não tinha informações precisas sobre o reajuste.

Segundo ele, nenhum comunicado havia sido feito até então pela rede, à qual pertence o posto.

Da mesma forma, José Noviscki, gerente de um posto de combustível localizado na quadra 2 da rua 13 de Maio, desconhecia o reajuste.

O proprietário do estabelecimento, Sérgio Roberto de Godoy Lima, disse que tinha ouvido falar do aumento, mas não sabia de quanto seria nem quando entraria em vigor.

Segundo ele, já prevendo o reajuste, na semana passada teria tentado comprar combustível além de sua cota normal, mas a distribuidora não teria permitido.

Embora ainda estivesse comercializando a gasolina a R$ 1,84 ontem, o gerente de um outro posto na avenida Rodrigues Alves, na quadra 19, disse que o combustível em seu estabelecimento seria reajustado em 9,5%, a partir de hoje.

O último reajuste de combustíveis havia sido feito em 1 de novembro. Em três meses, o valor médio do combustível para o consumidor subiu 12,69%.

Além da gasolina, o aumento anunciado anteontem atinge também o diesel (9,5%), o gás de cozinha (4,9%) e o gás industrial (6,7%). Todos os percentuais referem-se ao aumento previsto para o consumidor.

Consumidores reclamam

Vários consumidores reclamaram do reajuste antecipado. Wilson de Oliveira, outro que reclamou e se negou a abastecer seu carro no posto onde a gasolina estava R$ 2,35 ontem à tarde.

Para o técnico de informática Ângelo Pereto Sobrinho, os reajustes não surpreendem mais. “Já se tornou algo normal, previsível. Ainda mais no fim do ano”, opinou.

“Esse é o presente de Natal que o governo nos deu”, ironizou o aposentado Ricardo Meneghetti, que abasteceu o carro ontem, na tentativa de se resguardar, pelo menos por enquanto, do aumento.

Para o representante comercial Antônio Carlos Tech, sua profissão não permite obter vantagens fazendo estoque de combustível. Ele disse que viaja praticamente todos os dias e por isso precisa abastecer o veículo constantemente, com ou sem aumento.

Numa última tentativa de economizar, Tech diz que está fazendo alguns testes para fazer a conversão do motor do carro à gasolina para o álcool.

O movimento nos postos de combustíveis ontem foi considerado normal. Na opinião do vendedor Elias Pereira, a população teria percebido que não vale a pena ficar na fila para garantir a gasolina por um preço mais baixo hoje e depois ter de se curvar ao aumento quando for abastecer novamente.

Segundo ele, os reajustes tornaram-se tão constantes que acabou desanimando os motoristas.

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