Economia & Negócios

Comércio se prepara para a última festa de 2002

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Uma semana depois das festas natalinas, as pessoas se preparam, agora, para a confraternização do final do ano. Diferentemente da ceia do Natal, o Réveillon é uma festa mística que mistura tradição e superstições. Por conta disso, as vendas de lentilhas, roupas e sapatos brancos, além da tradicional champanhe, disparam. O comércio, por sua vez, também está preparado para atender aos anseios dos consumidores.

O estouro da champanhe é o “start” para a festa, que deve ser regada com muita bebida e comida mas sem a presença de aves, que ciscam para trás. Segundo a tradição, isso pode atrasar a vida da pessoa.

A champanhe é a bebida que marca o Réveillon, na opinião do comerciante Carlos Prando. Segundo ele, a festa tem início com o estouro da garrafa. “No Réveillon, a procura por champanhe e uísque é muito maior do que no Natal”, afirma Prando.

Pelo fato da confraternização do final de ano reunir também os amigos, além de parentes, exige um investimento maior com as bebidas. “A comemoração é diferente no Ano Novo. Cerca de 80% do consumo nessas festas é de bebidas”, cita o comerciante.

Prando lembra que, na ceia que comemora a entrada do novo ano, o bacalhau também não pode faltar. “A bacalhoada é uma tradição. Vendemos muito nesta época do ano. As frutas secas, típicas das comemorações desse período, também são bastante procuradas.”

Prando ressalta que para comemorar a entrada do ano as pessoas podem escolher entre vários tipos de produtos, dependendo da disponibilidade financeira. “Temos champanhes que custam R$ 3,90 e a top de linha, a francesa Cristal, que custa R$ 732,38”, diz o comerciante.

Roupas e sapatos

As roupas brancas já figuraram como as vedetes do final do ano, mas desta vez a mistura do colorido, do prateado e do dourado surpreendeu comerciantes do ramo de roupas e sapatos.

Na opinião da lojista Maria Fernanda Hinke, as mulheres estão preferindo a mistura para poder aproveitar a roupa após o Réveillon. “Antigamente, elas compravam uma roupa só para o final do ano. Hoje, percebo que muitas preferem os conjuntos para aproveitar a blusa e a saia com outras combinações durante o ano.”

A mistura com peças coloridas em laranja, amarelo, vermelho e verde agradaram a ala feminina. “As peças coloridas com fundo branco esgotaram na minha loja”, conta Maria Fernanda.

As roupas em branco total ainda podem ser encontradas hoje. As vitrines mostram modelos que agradam a todos os gostos e bolsos. “As peças brancas estão com 20% de desconto”, frisa a comerciante.

No ano passado, ela conta que comercializou em torno de 100 peças brancas. “As calças e saias brancas combinadas com blusinhas coloridas foram muito procuradas.”

Para se vestir conforme manda a tradição, o consumidor não precisa gastar muito. Os preços variam de acordo com o tecido e o modelo.

Há vestidos com preços em torno de R$ 60,00. As calças capri, vedetes deste verão, em torno de R$ 34,00 e blusinhas podem ser adquiridas por R$ 25,00.

As sandálias e sapatos no estilo chanel em branco com detalhes prateados e dourados estão conquistando as mulheres. Seguindo a tradição, elas usam na passagem do ano para garantir a paz.

A comerciante Selma Maria Messias investiu na tendência e colocou uma coleção de sapatos e sandálias à mostra em sua vitrine. “Temos vendido bastante. Os calçados que contêm branco com prata ou com dourado são os preferidos.”

Mantendo a tradição

A sopa de lentilhas é uma tradição que se mantém na ceia do Réveillon. Quem faz, garante que passa o ano todo contando com uma “mãozinha” da prosperidade.

A venda do grão dispara nesta época do ano, confirma a comerciante Sueli Toma. “De cada dez fregueses que entram no estabelecimento, seis procuram lentilha.”

Sueli lembra que no ano passado vendeu cerca de 100 quilos de lentilha nos dias que antecederam o Ano Novo. “Os fregueses levam meio quilo, que é suficiente para fazer uma sopa para quatro ou seis pessoas”, conta a comerciante.

Para manter a tradição, o consumidor não vai gastar muito. O quilo da lentilha está em torno de R$ 4,00. “Vendemos também o arroz próprio para fazer moti, uma tradição japonesa.”

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