Economia & Negócios

Cesta básica cai 1,9%em dezembro

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O preço mínimo da cesta básica verificado em Bauru neste mês foi de R$ 183,50. Este valor é 1,9% inferior aos R$ 187,05 registrados em novembro deste ano. Para o economista e professor Reinaldo Cafeo, a pequena queda registrada se deve, principalmente, a uma acomodação de preços gerada pelo acirramento da concorrência no setor supermercadista da cidade.

Por outro lado, no ano a cesta acumula alta de 31,78%. O aumento real, descontada a inflação no período - medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe - foi de 21,5%, segundo Cafeo.

Comparando o resultado deste mês com dezembro do ano passado, o aumento do preço mínimo é de 27,74%, já que em 2001 a cesta básica fechou em R$ 143,65 na cidade. Mas mesmo com a queda deste mês, o valor continua muito próximo do salário mínimo do trabalhador brasileiro, que é de R$ 200,00.

Os resultados verificados de agosto a novembro foram os que mais pesaram no aumento acumulado da cesta básica ao longo do ano. Em todos esses meses foram registradas altas no preço mínimo, batendo quatro recordes seguidos desde que o Data-ITE começou a realizar a pesquisa em Bauru, em julho de 1999.

Para comprar a cesta básica no valor mínimo indicado pela pesquisa, o consumidor precisa adquirir os produtos mais baratos de cada supermercado da cidade.

Neste mês, o desempenho dos preços em cada grupo de produtos que compõem a cesta básica foi o seguinte: o grupo alimentação fechou dezembro em R$ 139,38, valor 1,91% inferior ao registrado no mês de novembro - que foi de R$ 142,10.

O grupo limpeza doméstica encerrou o último mês do ano com valor de R$ 25,58, o que significa 7,05% a menos que o resultado de novembro - R$ 27,52. Já o grupo higiene pessoal fechou em R$ 18,53, valor 6,37% superior ao verificado no mês passado - que foi de R$ 17,42.

Concorrência

“Acredito que a pequena queda verificada neste mês no valor mínimo da cesta básica foi resultado da concorrência entre os supermercados da cidade. A disputa foi acirrada com a chegada de uma nova rede supermercadista em Bauru e os empresários do setor tentaram atrair o consumidor fazendo as reduções possíveis nos preços dos produtos”, avalia Cafeo, que coordena a pesquisa do Data-ITE juntamente com o professor Herman Vos.

De acordo com Cafeo, no mês de dezembro as maiores altas, isoladas, em relação a novembro foram verificadas no feijão (58,9%); açúcar (49,4%); creme dental (48,7%); farinha de mandioca (28,4%); papel higiênico fino (16,6%); detergente (11,6%) e na lingüiça fresca (11,6%).

Já as principais baixas verificadas isoladamente ocorreram no macarrão com ovos (-8,3%); absorvente aderente (-8,9%); extrato de tomate (-9,4%); sabão em pó (-11,7%); margarina (-11,7%); cebola (-17,1%); ovos (-17,3%); alho (-24,8%); queijo mussarela fatiado (-25%) e no biscoito maisena (-27,5%).

Resultados

De acordo com a pesquisa realizada pelos professores e coordenadores do Data-ITE, no total dos itens da cesta básica o resultado final em dezembro foi de 11 produtos com alta de preços, seis com preços estáveis e 14 itens com preços em queda.

“Observa-se que devido à forte alta do mês de novembro os preços não tiveram ‘fôlego’ para manter-se em ascensão. Mesmo com a injeção do décimo terceiro salário, ficou evidente que a concorrência se encarregou de eliminar parte das distorções anteriores. Contudo, a discrepância de preços entre os mesmos produtos continua muito elevada. Por isso, o consumidor deve manter a vigilância e a pesquisa de preços”, orienta Cafeo.

As principais discrepâncias de valores encontradas durante a pesquisa do mês de dezembro, comparando o preço mínimo e o máximo encontrados para um mesmo produto em estabelecimentos diferentes, foram as seguintes: batata (246,2%); cebola (227,6%); alho (223,1%); ovos (105%); lingüiça fresca (95,7%) e do biscoito maisena (93,5%), entre vários outros.

Regiões

Por regiões da cidade, os valores apurados para a cesta básica em dezembro foram de R$ 197,69 no Centro; R$ 207,81 na Zona Sul; R$ 212,52 na região Norte; R$ 212,93 na Oeste e R$ 219,46 na Zona Leste de Bauru. Como se vê, somente em uma região o valor não ultrapassou o salário mínimo do trabalhador brasileiro, que é de R$ 200,00.

Conforme matéria publicada no Jornal da Cidade neste mês, muitas pessoas já afirmam ser mais fácil e barato comprar roupas do que comprar comida para alimentar a família.

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