“Hoje a festa é tua, hoje a festa é nossa/ e de quem quiser, porque o futuro, que nada espera, já começouâ€. É como entoa velha cantiga popular, enchendo de bonitos sons os ares do mundo, dando adeus ao passado que ficou escondido na cortina do ontem. E ficou cansado, cansadinho, com suas 365 etapas cheinhas de segundos, minutos, horas, dias e meses intercalados por acontecimentos os mais contrastantes: bons, regulares, ótimos e maus. Tinha de ser assim e dessa forma foi, sendo a vida edificada para tudo quanto quisesse levar a efeito o homem de todas as índoles, de todas as posses e de todas as épocas! Então, não se pode deixar de aproveitar o tempo que aí vai decorrendo rápido à nossa frente a fim de nos mostrar o que temos de fazer para que evitemos de tornar insípida a existência, que nos é concedida gratuitamente, pois que exige dos seres unicamente a contrapartida da obediência ao amor e ao respeito que não se pode negar a quem quer que seja, inclusive inimigos. Por que é assim? Por que a todos compete, na verdade, dar contributo amplo e sincero para a harmonia do próximo. E por que, também, precisamos deixar de engatinhar incansavelmente e passar a crescer, crescer sempre, tornando-nos realmente adultos e praticantes convictos de nossas responsabilidades na ingente missão do alongamento da humanidade, para que ela nunca termine, jamais cerre as portas e janelas através de cujas frestas terão de continuar penetrando indefinidamente os límpidos raios do Sol.
A festa é de todos! Ninguém fuja dela, para que ao terminar 2003 estejamos alimentados pela integral consciência de que não falhamos em nada de quanto nos competia desenvolver para a incólume chegada do novo futuro, inigualavelmente radiante, e, logicamente, para a multiplicação das gerações, na serena convicção de que o universo não foi construído para ter fim como tem a humanidade, não raro destruída por ela mesma. Terá ele de continuar marchando por todo o sempre, plasmado por Deus, que também não tem fim. Temos de ir em frente, sem parar, para que as comemorações de hoje se repitam até quando Deus quiser. E quando será isso...? Que demore uma eternidade (sem qualquer exagero nosso) a fim de que todos tenhamos a ventura de continuar encontrando todos os dias e nos abraçarmos fraternalmente! (N. Serra, jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)