Jaú - Depois de conquistar seu espaço dentro do Estado de São Paulo e ampliá-lo para a região Sul e Sudeste do País, o setor calçadista de Jaú prepara-se para expandir novamente seus negócios. A prioridade agora é consolidar a presença do calçado feminino jauense no mercado do Norte e Nordeste - tido como emergente e promissor pelos empresários.
A realização da “1ª Jaú Fashion Shoesâ€, em Recife, pretende ser o primeiro passo rumo a essa conquista. Durante o evento, programado para o começo de abril, fabricantes de calçados de Jaú e região terão a oportunidade de negociar seus produtos diretamente com potenciais compradores nordestinos.
Para o segundo semestre, provavelmente em setembro, está prevista uma nova edição do evento. Desta vez, a cidade-sede da exposição deve ser Fortaleza.
Na opinião do publicitário Mário Augusto da Silva, organizador do evento, o setor calçadista de Jaú sempre trabalhou voltado para o Estado de São Paulo - responsável pela compra de cerca de 80% de toda a produção local. Penetrar no mercado nordestino, segundo ele, seria uma forma de aumentar as vendas e acabar com a sazonalidade da produção, que sempre cai no meio do ano.
“Além do mais, é um mercado emergente e que merece ser exploradoâ€, afirmou.
Por ser uma região do País onde o calor reina soberano, a venda de sandálias ocorre o ano todo e não há a necessidade de mudar os modelos nas prateleiras para a chegada da moda outono/inverno, por exemplo.
“Em janeiro e fevereiro, vende-se em São Paulo, com promessa de entrega para março ou abril. Depois disso, os fabricantes só voltam a vender em agosto, quando começa a moda primavera/verão, com entrega em setembro e outubro. Aí vem, novembro e dezembro, que é alto verão, e as vendas vão até o carnavalâ€, relatou o publicitário.
Segundo ele, no Nordeste as festas juninas e julinas são mais comerciais do que as de fim de ano. â€œÉ por isso que nós escolhemos o mês de abril para fazer a exposição. Quando chegar junho e julho, eles (produtores) estarão entregando os pedidosâ€, contou Silva.
Segundo ele, atualmente os calçados de Jaú vendem pouco no Nordeste. “Isso acontece mais por falta de oportunidade do que de qualidade do produtoâ€, avaliou o publicitário.
Na opinião do publicitário, hoje não há razão para que a produção de calçados da cidade fique restrita apenas ao eixo Rio-São Paulo. Segundo Silva, o pico de vendas no Norte e Nordeste é diferente do que ocorre no Sul e Sudeste. Para ele, se esse fato for bem explorado, as indústrias calçadistas de Jaú podem acabar com a ociosidade em sua capacidade de produção.
“Tem fabricantes que já enxergaram o potencial do Nordeste e já organizaram sua própria exposição. Eles vão lá, entram em contato com os compradores, negociam e vêm emboraâ€, revelou.
De acordo com o organizador do “Jaú Fashion Shoesâ€, as fábricas que se dispuseram a participar da exposição têm uma capacidade de produção ociosa. “Se conseguirmos preencher esse espaço vazio com a venda para um mercado que não é o tradicional será excelenteâ€, declarou Silva.
Ao contrário de outras feiras calçadistas, o objetivo da “1ª Jaú Fashion Shoes†é levar o fabricante a entrar em contato direto com o comprador. Eventos maiores, como a Couro Modas e a Expocal, também servem para negócios, mas o forte destes é lançar moda e tendências.
Segundo Silva, a exposição de Recife, por ser a primeira, deve servir de parâmetro para eventos futuros. Mais precisamente para a feira de setembro, em Fortaleza.
â€œÉ a feira de Recife que vai dar para nós a idéia de possíveis mudanças, com relação a estrutura, amplitude do espaço, número de fabricantes a ser levado. É o sucesso do primeiro evento que vai dar subsídios para aprimorarmos a exposição de Fortalezaâ€, disse.
Na opinião do presidente do Sindicato das Indústrias do Calçado de Jaú, Ângelo Soave, a exposição no Nordeste “tem tudo para dar certoâ€. “Para as empresas, esse é um canal de vendas fantástico, que precisa ser exploradoâ€, avaliou.
O evento em abril será no Hotel Recife Palace, ao lado da praia de Boa Viagem, um local de fácil acesso e com uma vasta rede hoteleira, pronta para receber o fluxo de visitantes e compradores.
Cidade faz convênio para exportar
Jaú - O Sindicato das Indústrias de Calçados de Jaú assinou em 2001 convênio de cooperação com a Agência de Promoção das Exportações (Apex) com o objetivo de incentivar as vendas do setor calçadista da cidade no mercado internacional.
Além de desenvolver a indústria local, o convênio tem como objetivo principal acabar com a sazonalidade da produção.
Para chegar a esse ponto, as empresas querem levar seus produtos para além das fronteiras do País. Entre os mercados mais cobiçados estão a América do Sul, Estados Unidos e Europa.
Hoje, apenas 15 empresas jauenses exportam seus calçados. Esse número representa apenas 10% do total de indústrias que estão instaladas atualmente na cidade.
Quase toda a produção da cidade - aproximadamente 60 mil pares por dia - fica em território nacional.
Fora do País, os principais compradores do calçado jauense são Inglaterra, Estados Unidos, Chile, Venezuela e Colômbia.
De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias do Calçados, Ângelo Soave, desde a assinatura do convênio com a Apex até hoje, as exportações aumentaram em 40%.
De acordo com os números apresentados pelo sindicato, a indústria calçadista emprega atualmente cerca de cinco mil pessoas em Jaú.