Regional

PM é acusado de matar comerciante

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 4 min

Avaré - O comerciante Nélson Aires da Costa, 61 anos, foi assassinado a tiro no início da noite do último sábado, dentro de sua loja que fica em prédio anexo à residência onde ele morava com a família. O acusado de efetuar o disparo é um policial militar que havia sido chamado para dar segurança no local que havia sido invadido por freqüentadores de um bar localizado quase em frente.

As versões da Polícia Militar (PM) e da família da vítima para o fato que resultou na tragédia são conflitantes. Enquanto os policiais afirmam que agiram em legítima defesa, familiares do comerciante afirmam que foram ofendidos física e moralmente, mesmo após terem perdido o chefe da casa.

O crime aconteceu por volta de 18h de sábado num salão da loja de materiais de construção do comerciante Nélson Aires da Costa, na rua Mato Grosso. No local, cerca de 15 jovens ensaiavam num grupo musical, e entre eles estava Ricardo Zanela Aires da Costa, 21 anos, que é filho de Nélson.

De acordo com informações da família, o grupo de jovens ensaiava com a porta da loja aberta até ao meio, devido ao forte calor. Por volta das 18h dois freqüentadores de um bar das proximidades teriam invadido a loja, alegando que o som os incomodava.

Teria então havido um tumulto no local quando os donos da casa acionaram a PM achando que essa seria a melhor solução para acalmar os ânimos no local.

A mãe de Ricardo conta que enquanto o grupo ensaiava ela estava dentro da casa assistindo televisão. “O som não estava alto, mesmo porque tínhamos crianças pequenas dormindo”, disse.

Ainda segundo a família do comerciante, os policiais demoraram cerca de dez minutos para chegar ao local da briga, tempo suficiente para que a confusão terminasse e os dois intrusos fossem embora.

De acordo com a família do comerciante, quando os militares chegaram ao local da ocorrência, Ricardo Zanela disse aos policiais que o tumulto já havia acabado. A PM por sua vez, diz que Ricardo desacatou os policiais e por isso foi lhe dada voz de prisão, com determinação de ser encaminhado ao plantão policial.

Nélson teria ficado nervoso por ver o filho sendo detido e entrou em sua casa voltou em seguida armado com um revólver.

Na versão da família, em meio à confusão, ao ver a arma na mão do comerciante, o policial efetuou um disparo que acertou o abdômen de Nélson que caiu. “Minha mãe caiu junto com meu pai e quando ela tentava tirar a arma da mão dele, o revólver disparou um tirou que atingiu o teto”, disse um dos filhos.

A família afirma ainda que depois de ferido no abdômen, Nélson recebeu um segundo tiro na cabeça. Ele foi levado ao pronto-socorro mas morreu em seguida.

Já na versão da PM, o soldado Luciano Cordeiro, que tem cinco anos de serviço, só disparou contra o comerciante porque este havia atirado em sua direção, sem no entanto atingi-lo.

Tortura

Além da suposta execução, os familiares do comerciante acusam os policiais de tortura física e psicológica. Um outro irmão de Ricardo, o advogado Alexandre Zanela Aires da Costa, 28 anos, que estava em São Paulo no momento dos fatos, foi para Avaré assim que foi comunicado. “As marcas no corpo do Ricardo estão por toda parte. Todos viram”, disse ontem.

Ainda abalado com a morte do pai, o advogado Alexandre disse que ouvir o relato das pessoas que testemunharam os fatos é revoltante. “Nossa família chamou a polícia para ajudar e olha só o que aconteceu. Ele era um exemplo de pai e muito querido na cidade”.

Laudos

A delegada do 2º Distrito Policial de Avaré disse ontem que já determinou a abertura de inquérito policial para apurar o crime e aguarda o laudo do Instituto Médico Legal (IML). Os exames devem apontar quantos tiros de fato atingiram a vítima, se um como diz a PM ou dois como chegou a levantar a família do comerciante.

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Legítima defesa

A Polícia Militar de Avaré não admite a acusação da família de que o comerciante tenha sido executado com dois tiros. De acordo com o tenente Lúcio Monteiro que não esteve presente no momento dos fatos, mas ontem era o encarregado de falar sobre o assunto, o que houve na loja do comerciante foi apenas um disparo em legítima defesa.

A PM também afirma que Ricardo não foi espancado nem torturado como afirma a família. De acordo com o oficial, além das investigações normais por parte da Polícia Civil, por se tratar de um crime militar, o fato também está sendo apurado em uma sindicância interna da própria PM.

Enquanto as investigações prosseguem, o tenente disse que o soldado que disparou contra o comerciante continuará desempenhando suas funções normalmente nas ruas. “Não vislumbramos abuso por parte do policial”, disse.

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