Economia & Negócios

Emprego nas indústrias da região registra nova queda

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O nível de emprego industrial em Bauru e região teve queda de 2,32% no ano passado, o que equivale a uma redução de cerca de 370 postos de trabalhos. Os números foram divulgados pela Diretoria Regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e abrangem dados do parque industrial de 17 municípios de janeiro a novembro de 2002.

De acordo com o levantamento, o emprego na indústria caiu ainda mais se considerado o período de 12 meses entre novembro de 2001 e o mesmo mês do ano passado. A retração foi de 3,36%, o equivalente a 540 postos de trabalho a menos.

Na regional Bauru do Ciesp, a maior influência na redução do nível de emprego industrial no mês de novembro veio das variações negativas dos setores de produtos alimentares, editorial e gráfica e mecânica. Em comparação com setembro de 2002, o quadro geral de novembro fechou em queda de 0,97% - ou seja, mais de 155 empregos a menos em apenas um mês.

Para o diretor regional do Ciesp, José Luiz Simonelli, o acúmulo de resultados negativos na maioria dos meses de 2002 é preocupante. â€œÉ um número significativo: 370 postos a menos são 370 famílias”, observa.

De acordo com Simonelli, a eliminação de postos é um reflexo natural da recessão econômica pela qual passa o País. “Não houve um fato pontual, mas de situação genérica: o desaquecimento da economia por falta de crédito, por falta de capital de giro. E com o crédito para consumo reduzido, por conseqüência diminui a produção industrial”, diz.

No caso específico de Bauru, Simonelli avalia que os três setores que mais apresentaram variação negativa são justamente os que movem o parque industrial da cidade e da região, porém ocupam menos gente. Ele acredita que se a falta de crédito atingisse mais seriamente setores como construção civil e agricultura, os resultados poderiam ser ainda piores, pois utilizam mão-de-obra intensiva.

A queda de novembro de 2001 a novembro de 2002 em Bauru, no entanto, foi menor do que a registrada no Estado de São Paulo: 3,36% contra 5,05%. Para o economista Reinaldo César Cafeo, delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), essa comparação pode ser encarada com certo alívio. “Se em Bauru foi ruim, foi menos ruim do que no Estado todo”, diz.

2003

Cafeo acredita que o nível descendente de emprego industrial pode ser freado ou até recuperado a partir do segundo semestre deste ano - o que traria reflexos quase imediatos aos setores de comércio e serviços. “As empresas já demitiram dentro de um certo limite, então elas já vão se adequando a uma capacidade instalada melhor”, afirma o economista.

O diretor do Ciesp também enxerga 2003 com expectativa positiva para a retomada da produção industrial e da ocupação no setor. Para ele, a diminuição na taxa básica de juros (Selic), hoje em 25%, é essencial para a geraçãode mais crédito, principalmente para as micro e pequenas empresas.

“A medida para conter inflação não é aumentar taxa de juros, com restrição ao crédito. Há outros mecanismos que se pode estudar menos impactantes na base da economia, que é a indústria”, defende Simonelli.

Ele também acredita que a maneira como a economia está sendo conduzida pelo novo governo atrairá investidores com rapidez. “A visão internacional de investimento é de entrar no mercado na hora em que ele está gerando perspectiva. Se vierem investir só no momento em que o País está dando um ‘boom’, eles perdem o bonde”, declara o diretor do Ciesp.

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