Os sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) definiram, em consenso, pedir modificações no comando e no perfil de atuação dos escritórios regionais da Subdelegacia Regional do Trabalho (DRT) e do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) em Bauru.
Mas, embora alguns dos sindicatos filiados defendam abertamente a indicação de nomes para os postos, a entidade prefere não fazer campanha em torno de nenhum dos lembrados na reunião realizada nesta semana para discutir o tema. Segundo o representante do Sindicato dos Ferroviários e membro da CUT Bauru, Roque Ferreira, a central sindical preferiu discutir o perfil de atuação dos órgãos.
Ferreira confirmou que a entidade mostrou interesse em discutir a atuação regional da DRT e do INSS no governo Lula. “São organismos que atuam mais diretamente com questões que mexem com a vida do trabalhador. Mas, apesar do natural surgimento de nomes, a entidade em si não vai defender ou fazer campanha por ninguémâ€, pontua. A CUT também decidiu não participar de nenhum lobby em torno da ocupação desses postos.
Roque comentou que foi consenso, no encontro, que a Subdelegacia do Trabalho deve incorporar mais ativamente a fiscalização e supervisão das ações relativas ao trabalho. “Achamos que essa tarefa deve ser efetuada sem paternalismo com o patronato, fazendo com que o órgão cumpra a lei à riscaâ€, conta. Assim, houve consenso na CUT em torno da necessidade de mudança no comando do órgão.
Para a DRT existem duas posições de perfil para o comando. Alguns sindicatos defendem que a subdelegacia seja gerida por um representante direto dos trabalhadores. Porém, outros sindicatos apoiam profissionais de carreira do próprio órgão.
No INSS o processo de discussão está mais avançado. A tendência é para que a CUT dê ouvidos à sugestão a ser apontada pela entidade que representa os servidores do órgão previdenciário. “Mesmo sem sugerir nomes no INSS nós pontuamos que o trabalho na área de previdência deve passar por reformulações que atendam aos interesses dos trabalhadoresâ€, acrescenta Roque.
Os lembrados
O ferroviário citou que a nomeação de Heguiberto Guiba Navarro para a direção estadual da Delegacia de Trabalho foi bem recepcionada pela central sindical. “Recebemos muito bem a indicação e acreditamos que o Guiba terá muito trabalho a fazer no órgão e nas subdelegaciasâ€, conta.
A CUT enviou ao novo gestor da pasta um relatório onde pede mudanças na DRT-Bauru e aponta os nomes sugeridos na reunião. “A tendência de vários sindicatos era por um militante sindical, mas também apontamos os nomes de carreira da própria subdelegacia que foram citadosâ€, cita Ferreira.
Ele contou que foi lembrado juntamente com o representante do Sindicato dos Eletricitários, Jesus Garcia. “Eu adiantei que não tenho disposição para assumir o posto. Eu apoio o nome do Jesusâ€, menciona.
Contudo, representantes dos eletricitários também levantaram o nome de Maria Rita, funcionária da área jurídica da DRT. Já o representante do Sindicato da Construção Civil, Cláudio da Silva Gomes, apoia a indicação de José Eduardo Rubo, servidor do setor de engenharia de segurança do trabalho do órgão.
Silva deixa claro que está apoiando Rubo. “Verificamos que é mais difícil o consenso em torno de um nome do meio sindical. Eu defendo o Rubo e acredito que o melhor perfil para o que defendemos para o órgão esteja ligado a um profissional de carreiraâ€, esclarece.
O atual subdelegado do Trabalho é Sérgio Branco e a gerência do INSS está com Maria Lúcia Custódio. Segundo os sindicalistas ouvidos, a direção municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) em Bauru ainda não discutiu o tema com os filiados.
Além da DRT e INSS, foram feitas menções à atuação da Polícia Federal (cuja direção está vaga) e à Delegacia Regional da Receita Federal. Entretanto, os órgãos não chegaram a fazer parte da pauta em razão de suas áreas de atuação não terem relação estreita com o segmento dos trabalhadores.