Saúde

Tabagismo mata 10 mil pessoas por dia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um terço da população mundial (1,2 bilhão de pessoas) é fumante. Destes, cerca de 4 milhões morrem anualmente, o que significa que são 10 mil mortes por dia. Só no Brasil são 80 mil mortes por ano - 10 mortes por hora.

Para a OMS, se as tendências atuais de expansão do consumo forem mantidas, estima-se que serão 8,4 milhões de mortes anuais no mundo por volta do ano 2020, sendo metade deles em idade produtiva (entre 35 e 69 anos).

Até hoje, pesquisas evidenciam que o consumo dos derivados do tabaco causam aproximadamente 50 doenças diferentes, principalmente as patologias cardiovasculares, os problemas respiratórios crônicos e diversos tipos de câncer.

Segundo as estatísticas, o tabagismo é responsável por 25% das mortes causadas por doença coronariana (angina e infarto do miocárdio). Entre a população com menos de 60 anos, ela responde por 45% das mortes por problemas cardíacos.

O cigarro também está associado a 85% das mortes causadas por bronquite e enfisema pulmonar. E é responsável por 90% dos casos de câncer de pulmão (entre os 10% restantes, um terço é de fumantes passivos).

Estima-se, ainda, que o tabaco é responsável por 30% das mortes decorrentes de outros tipos de câncer (boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero) e por 25% das doenças vasculares, entre elas o derrame cerebral.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), as doenças cardiovasculares e o câncer são as principais causas de morte por doença no Brasil, sendo que o câncer de pulmão é a primeira causa de morte por câncer.

Também é sabido que o cigarro é prejudicial até mesmo para quem não fuma. Ao poluir um ambiente, o fumante obriga quem está perto a inalar fumaça tóxica e perigosa à saúde. Segundo a OMS, o tabagismo passivo é a terceira maior causa de morte evitável do mundo, perdendo apenas para o tabagismo ativo e o consumo excessivo de álcool.

O Inca informa que o ar poluído contém, em média, três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra pela boca de quem fuma. Isso porque quando o fumante traga, a fumaça passa por um filtro, que elimina diversas partículas tóxicas.

Segundo o instituto, os dois principais componentes da poluição tabagística ambiental (PTA) são a fumaça exalada pelo fumante (corrente primária) e a fumaça que sai da ponta do cigarro (corrente secundária). Esta última é o principal componente da PTA, pois ela é formada em 96% do tempo total da queima dos derivados do tabaco.

Numa análise feita pelo Inca em 1996 em cinco marcas de cigarros comercializados no Brasil, verificou-se níveis duas vezes maiores de alcatrão, 4,5 vezes maiores de nicotina e 3,7 vezes maiores de monóxido de carbono na fumaça que sai da ponta do cigarro do que na fumaça exalada pelo fumante. Os níveis de amônia na corrente secundária chegaram a ser 791 vezes superiores que na corrente primária.

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Mulheres

Com a participação cada vez maior da mulher no mercado de trabalho, a população feminina tornou-se alvo dos fabricantes de cigarro, que passou a ser divulgado como símbolo de emancipação e independência. Com isso, houve um aumento considerável no numero de mulheres fumantes.

Um estudo da Organização Panamericana de Saúde (Opas), realizado no Brasil em 1992, mostrou que o índice de mulheres fumantes no País subiu de 20% para 51% em 15 anos (entre 1971 e 1986).

Outro estudo, realizado em 1997 entre estudantes de dez capitais brasileiras mostrou que em pelo menos sete capitais as meninas experimentam cigarros em maior proporção que os meninos.

O problema é que as conseqüências do tabaco são maiores para as mulheres. Além dos riscos comuns aos homens, elas são mais suscetíveis em função de particularidades do próprio sexo, como gestação e uso combinado de pílulas anticoncepcionais.

Mulheres jovens que usam hormônios como método contraceptivo e fumam têm um risco dez vezes maior de sofrer um infarto, embolia pulmonar ou tromboflebite que aquelas que tomam as pílulas sem fumar.

Além de tudo isso, a mulher que fuma durante a gravidez tem maior risco de sofrer abortos espontâneos, ter parto prematuro, bebês de baixo peso, complicações com a placenta, hemorragias ou morte fetal. E se ela superar os problemas da gravidez, ainda há o risco de que o bebê seja intoxicado pelo cigarro durante a amamentação.

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