Jaú - Foi realizada recentemente pela primeira vez no Hospital Amaral Carvalho de Jaú, uma cirurgia para colocação de enxerto ósseo congelado obtido em um banco de ossos. O paciente é um garoto de seis anos que passa bem e dentro de seis meses deverá voltar a andar.
O ortopedista Pedro Budin conseguiu a doação do material através do professor Reynaldo Jesus Garcia, do Hospital Israelista Albert Einstein, em São Paulo, para substituição do fêmur do garoto que está em tratamento na Enfermaria de Pediatria Oncológica do HAC.
A divulgação da cirurgia (realizada há dois meses) foi feita na semana passada após a realização de mais uma bateria de exames que vêm monitorando a evolução do tratamento, explicou o médico Pedro Budin. Segundo o ortopedista do HAC, “a solução de rotina seria a ressecção da área afetada pelo tumor, seguida da colocação de enxerto de osso do próprio paciente.
Mas devido à idade, lançou-se mão de um doador-cadáver, através do banco de osso do Einsteinâ€. Conforme disse, “foi usada a tíbia de um adulto, cujas dimensões são comparáveis ao fêmur da criançaâ€.
O especialista Pedro Budin informou ainda que o material obtido no banco de osso foi transportado em embalagem com gelo seco (congelado a 70 graus negativos) após ser submetido a inúmeros exames (HIV, Hepatite etc).
O osso foi descongelado no centro cirúrgico em uma solução de soro fisiológico e antibióticos antes de ser enxertado com pinos e placas.
O médico explicou que essa foi a primeira cirurgia realizada no HAC e outras intervenções semelhantes dependerão da doação dos poucos bancos de ossos existentes no País, o que não é fácil obter, diz ele explicando que a dificuldade ocorre devido ao alto custo de manutenção das estruturas necessárias ao preparo e congelamento dos ossos.
O garoto que recebeu o enxerto está sendo submetido a sessões periódicas de quimioterapia e avaliações.
Banco
Assim como ocorre com outros órgãos, a doação de ossos também enfrenta resistências por parte das pessoas.
De acordo com especialistas, a utilização de ossos de banco é uma técnica que vem sendo largamente utilizada em vários países. Publicações de artigos descrevendo o uso de ossos preservados apareceram mais freqüentemente a partir das décadas de 40 e 50.
A medicina recorre a enxertos ósseos em várias situações como quando após colocar uma prótese, por exemplo, a pessoa apresenta uma absorção do osso que está em volta dela. Para repor o buraco deixado pela absorção, é preciso utilizar o osso de um doador para fazer um enxerto.
Há casos, também, em que a pessoa com câncer no osso apresenta uma perda grande e a única opção é recorrer a um doador.