De acordo com o manual, um dos primeiros choques para a criança hospitalizada é ver-se num lugar estranho e cercada de vários aparelhos desconhecidos, como eletrocardiógrafo, equipamento de soro, respiradores. Para amenizar esse desconforto, recomenda-se que os pais tragam algo de casa que possa tornar o ambiente mais familiar à criança.
Desenhos pendurados nas paredes e brinquedos prediletos ajudam a diminuir a tensão. Porém, antes de levar qualquer coisa para o quarto do doente, é preciso consultar a equipe de saúde. A enfermeira Débora Corrêa salienta que o hospital sempre autoriza a família a levar algo de que o paciente goste - uma boneca, um carrinho, o material de escola, além de livros e revistas para as mães.
“As únicas recomendações que fazemos é que elas não tragam coisas demais, para não tumultuar o espaço. E que só tragam brinquedos e objetos laváveis, que possam ser desinfetadosâ€, orienta.
Ela explica que os quartos hospitalares, principalmente nas instituições públicas, abrigam várias crianças ao mesmo tempo. Os pacientes podem querer trocar os brinquedos entre si e isso facilita as contaminações cruzadas. “Para evitar isso, precisamos estar sempre lavando e higienizando todos os objetosâ€, explica.
Outra recomendação das estudantes no manual é sobre a recreação. Elas salientam que brincar é essencial para o desenvolvimento de toda criança.
É durante a recreação que elas treinam suas habilidades de focalização do olhar, coordenação dos movimentos, aprimoramento das percepções táteis e sensoriais - habilidades essenciais para que elas consigam se expressar e interagir com o mundo.
A supervisora de enfermagem da pediatria do Hospital de Base de Bauru, Débora Corrêa, informa que o hospital dispõe de uma brinquedoteca com atividades diárias para seus pacientes. Ali a criança encontra mesas e material para desenhar e escrever, joguinhos de montar, quebra-cabeças, carrinhos e bonecas bem coloridos e variados.
“Além disso, temos o Projeto Alegria, em que profissionais se fantasiam e vêm brincar com os pacientes. A criança que brinca aceita melhor o tratamento. Ela chora algumas vezes, mas sem escândalos. E ela dorme bem mais tranqüilaâ€, comenta.
As autoras do manual ressaltam que é impossível evitar o choro e os gritos numa pediatria, mas lembram que os adultos devem colaborar para diminuir o barulho, tentando tornar o ambiente alegre, familiar, porém tranqüilo.
“Sabemos que existem alterações importantes na freqüência cardíaca, ritmo de sono, etc., relacionadas com os ruídos do ambiente. Por isso, procura-se evitar ao máximo os barulhos desnecessários para prevenir problemas orgânicos e emocionaisâ€, informa o livreto.