A 2ª Companhia de Polícia Ambiental, sediada em Bauru, encerrou ontem mais uma operação de fiscalização e patrulhamento em rios da região de Bauru, Barra Bonita e Getulina. O trabalho resultou na apreensão de sete armas de fogo na área rural e na confecção de 30 boletins de ocorrência. O total de registros indica que os números deste ano podem superar o do ano passado, que já é quatro vezes maior que há três anos, de acordo com as estatísticas da polícia.
Os dados são satisfatórios para o comando local que intensificou e direcionou sua atuação, cumprindo a política definida pela Polícia Militar do Estado de São Paulo.
“Verificou-se uma migração da criminalidade da Capital para o Interior, predominantemente na área rural. Assim, estamos estudando locais de maior incidência de crimes na área rural para coibi-los. O resultado tem agradadoâ€, explica o comandante da 2ª Cia de Policiamento Ambiental de Bauru, capitão Marcelo Sanches.
No ano passado, pelo menos 15 operações de bloqueio, como a finalizada ontem, foram realizadas em 39 municípios, incluindo Bauru.
“Trinta homens trabalharam, de sexta-feira até hoje (ontem) às 12h, nos rios Feio, Batalha e Tietê. Graças à conduta que adotamos, registramos 15 infrações de pesca só neste ano, o que resultou num recolhimento de multa de R$ 16.434,47â€, informa o 1º tenente Nilson Fidelis da Silva.
Pesca
Dados da Polícia Ambiental indicam que em 2002 o número de redes de pesca apreendidas aumentou 86% em relação ao ano anterior. Já o total de tarrafas retiradas de circulação cresceu 34% no mesmo período. Apesar dos números, o comando local ressalta que quantidade não significa qualidade.
“Nossas estatísticas são as maiores dos últimos anos, mas o total de quilômetros percorridos em 2002 é mais de 60% inferiorâ€, enfatiza o capitão Sanches, para quem os números poderiam ser ainda maiores se o novo Código de Pesca Estadual já estivesse regulamentado.
De acordo com ele, também faz parte da política do governo do Estado direcionar a proteção à fauna aquática. O comandante ainda informa que o 2º Batalhão de Polícia Ambiental, com sede em Birigüi, fez o maior número de apreensões de pesca no ano passado do Estado de SP.
“Existem duas categorias de pescadores: profissionais e amadores. Os dois podem exercer a atividade desde que evitem a pesca predatória. Aqueles que dependem da pesca para sobreviver não podem utilizar malhas inferiores à permitida por lei e devem se atentar às regras durante a piracema, entre outros quesitos. Da mesma forma, os que gostam de fisgar peixes em momentos de lazer só podem dispor de linha e anzolâ€, comenta o tenente Silva.
Por temer punições da Polícia Ambiental ou por ter adquirido conscientização ambiental, alguns pescadores já se adequaram às novas exigências. É o caso, por exemplo, do secretário da Associação dos Pescadores de Avaí, Eurico Oliveira, que deixou de praticar a pesca predatória há anos.
“Como o rio responde de acordo com o tratamento que damos a ele, a própria associação tem orientado os pescadores para os cuidados que devem tomar. Há muito tempo, já pesquei com tarrafa, rede, cavo (uma armadilha para pegar peixe), mas mudeiâ€, explica.
Com a mesma atenção procede o garçom Pedro Calza, que encontra na pescaria uma maneira para relaxar. “Se tiver alguém no grupo com tarrafa, nem vou. Devido à divulgação, as pessoas estão mais cuidadosasâ€, conclui.