Ano novo sempre motiva e desperta novas possibilidades. O Brasil começou 2003 anunciando mudanças.
O presidente Lula se consolidou como um líder perseverante e obstinado. Será apoiado por milhões, mas também receberá cobranças imensas, e com certeza as mudanças acontecerão.
Se no plano federal abrimos em 2003, uma nova página promissora para todos os brasileiros, em Bauru o ano passado ainda não terminou... Em nossa cidade o novo ano começou patinando nos problemas e pendências que não foram resolvidos em 2002 pelo poder público local, tanto na esfera da prefeitura, quanto da Câmara Municipal.
O governo bauruense, com sua típica hesitação político-administrativa, tenta resolver no varejo os grandes problemas estruturais da nossa cidade. As graves pendências herdadas de Izzo Filho e Tidei de Lima não foram equacionadas pelo atual prefeito e alguns problemas anteriores até pioraram.
Nilson Costa já consumiu dois anos de seu segundo mandato, sem conseguir reerguer a cidade. Não terá mais tempo para isto se não buscar rápido recursos e apoio federal e estadual. Tomara que sua viagem para Brasília, na semana passada, renda dividendos concretos à cidade e anime o restante de sua gestão.
O prefeito, que é um veterano conhecedor do município e de lideranças de todos os setores de nossa sociedade, deveria agir sempre como aglutinador de forças e de propostas para renovar Bauru. Parece-me que falta ao Nilson Costa e aos integrantes de seu governo mais visão estratégica e senso de coletivo. Sem lideranças arrojadas não é possível mobilizar ninguém para nada. Tampouco para concluir algum objetivo abrangente e preparar a cidade para o século recém-iniciado.
Esta Câmara Municipal também não encerrou 2002. Paira sobre esta Casa de Leis uma série de suspeitas, de dúvidas e indagações que se arrastaram durante o ano passado e preencheram o primeiro mês do ano novo. A sociedade bauruense exige que todas as questões nebulosas sejam imediatamente apuradas. Se houver culpados, que sejam devidamente punidos. Os munícipes cobram medidas justas, sem arranjos de bastidores.
É claro que o julgamento de eventuais envolvidos não poderá ser meramente político, sob o risco de haver, em nome da moralidade pública, um mero acerto de contas entre facções políticas adversárias, uma prévia da disputa eleitoral de 2004...
O Estado de Direito não poderá ser subestimado em nome de interesses políticos pessoais ou de grupos. Princípios legais, éticos ou democráticos não podem ser lembrados ou ignorados ao sabor das conveniências. Toda acusação feita contra parlamentares ou funcionários da Casa está sendo apurada e deverá se basear em evidências concretas. Senão, estaremos participando de um linchamento moral sem reparação posterior.
Quando extrapolamos os princípios da lei, transformamos a justiça em autoritarismo. Passamos a transgredir o poder conferido pelo mandato popular. Enquanto legisladores, temos obrigação cívica de exercer as prerrogativas do Poder Legislativo dentro de seus parâmetros éticos e legais. Não podemos jamais nos apoderarmos da lei para caçar bruxas, para exercer a falsa moralidade.
Que os vereadores sejam dignos de seus mandatos, que ajam sem amarras e sem subjetivismo e que resgatem a boa fé e a confiança da Câmara Municipal. Só é possível exercer e fortalecer a cidadania na sociedade civil quando a sociedade política age em sintonia com os interesses coletivos dos cidadãos, que confiam e zelam pelas suas instituições democráticas. (Maria José Majô Jandreice é vereadora pelo PC do B)