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Ajax desiste de reciclagem de chumbo no setor metalúrgico

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

A Fábrica de Baterias Ajax desistiu de voltar a trabalhar com chumbo no setor metalúrgico instalado em Bauru, que está interditado há mais de um ano por indícios de contaminação ambiental. A empresa quer reativar no local a unidade de reciclagem de plástico, que também requer cuidados ambientais. Faz parte dos planos montar uma unidade de recuperação de chumbo na região.

A direção da empresa informou ao JC que montar um novo setor metalúrgico é mais viável que adequar o já existente, localizado às margens da rodovia Bauru/Jaú, às exigências da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

A Ajax alega que reformar os equipamentos antigos é mais caro que comprar novos. A própria Cetesb teria argumentado e provado à empresa, no final do ano passado, que não valeria a pena retomar as atividades em Bauru.

“Nós convencemos a empresa e ficou acordado que ela desistiria de voltar a recuperar chumbo no local. Tecnicamente é possível, mas o custo seria muito alto”, explica Rogério Chini, gerente da agência ambiental da Cetesb em Bauru.

Plástico

A Ajax solicitou à Cetesb autorização para reabrir apenas a unidade de reciclagem de plástico, que faz parte do setor metalúrgico. De acordo com a diretoria da empresa, no local, o plástico será moído para posteriormente ser reutilizado na confecção das caixas para as baterias.

Antes da interdição do setor metalúrgico, o chumbo era separado do plástico no próprio setor metalúrgico. Agora, a empresa quer trazer o plástico puro ao setor metalúrgico.

O pedido da Ajax está sendo analisado por técnicos da Cetesb em São Paulo. Antes da empresa reativar a reciclagem de plástico, entretanto, ela deve atender às exigências ambientais, recuperando a região contaminada.

O passo seguinte seria adequar os equipamentos para evitar poluição e só então pleitear a reabertura da unidade. A estratégia adotada pela Ajax para driblar a interdição do setor metalúrgico é comprar chumbo de empresas que fazem apenas reciclagem do material.

Segundo a diretoria da empresa, comprar matéria-prima é mais oneroso que reciclá-la, mas ao menos viabiliza o funcionamento da fábrica. A Ajax está estudando a possibilidade de montar um setor metalúrgico em Agudos.

Caso o terreno que foi oferecido pela prefeitura da cidade e que está sendo avaliado pela empresa atenda às necessidades, a diretoria deve oficializar à Cetesb o pedido de autorização para instalação.

A empresa, que está instalada em Bauru desde 1978, também estuda a possibilidade de montar um setor metalúrgico em Pederneiras, onde já dispõe de um terreno. O gerente local da Cetesb enfatiza que serão tomadas todas as providências para que a população não seja exposta a riscos.

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Interdição

Por indícios de contaminação por chumbo, o setor metalúrgico da Fábrica de Acumuladores Ajax, localizado às margens da rodovia Bauru/Jaú, foi interditado em janeiro do ano passado pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb).

A Cetesb já havia autuado a empresa 27 vezes, aplicando 17 advertências e dez multas num total de R$ 200 mil. Também determinou o cumprimento de 28 exigências sanitárias, mas a empresa continuava em operação.

No início de março, acolhendo a ação civil pública com pedido de liminar impetrada pelo Instituto Ambiental Vidágua contra a Ajax, o juiz Arthur de Paula Gonçalves, da 4.ª Vara Cível de Bauru, determinou a suspensão imediata das atividades do setor metalúrgico.

A decisão judicial estabelecia, ainda, o custeio do levantamento para verificar a presença de chumbo no sangue da população da região. Também foi determinada pelo juiz multa de R$ 10 mil por dia caso a empresa descumprisse a decisão.

A contaminação foi analisada pela Direção Regional de Saúde (DIR-10), cujo laudo emitido em agosto comprovou que a emissão de chumbo era proveniente da Ajax. O trabalho na região teve início em agosto e foi concluído no final do ano passado.

Exames revelaram que cerca de 300 crianças estavam com taxa de chumbo no sangue acima da média normal. Visando evitar a recontaminação das pessoas, a DIR-10 recomendou ações emergenciais a serem tomadas na região, tais como raspagem do solo, limpeza de caixas d’água e aspiração de interior de residências.

Todas as crianças com mais de 10 microgramas de chumbo por decilitro de sangue estão sendo acompanhadas por uma equipe multidisciplinar. As que apresentavam maior dosagem receberam, inclusive, tratamento medicamentoso. A alta concentração de chumbo no organismo pode causar saturnismo, doença crônica que atinge o sistema neurológico.

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