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Bauru tenta se mobilizar contra a guerra no Iraque

Da Redação
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Na tentativa de se unir aos movimentos contrários à guerra no Iraque, bauruenses já estão reunindo forças para lutar pela paz. Na cidade, o Partido Comunista do Brasil (PC do B) está tentando reunir a população para organizar um ato contra os possíveis ataques ao país árabe.

Está marcada uma reunião para amanhã, para tentar organizar um ato ecumênico, já no sábado, contra o anunciado ataque americano ao Iraque. Na reunião também deve ser discutida a criação de um Comitê Contra a Guerra em Bauru.

A vereadora Maria Majô Jandreice, do PC do B, que está organizando a reunião, diz que o convite para o encontro não é restrito apenas a partidos e organizações. “Diretórios acadêmicos, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), grupos religiosos, sindicatos, organizações civis, trabalha-dores, enfim, todos os cidadãos estão convidados a participar”, avisa.

A escolha do dia 15 de fevereiro como uma data mundial de luta contra a guerra foi definida no III Fórum Social Mundial. O evento foi realizado no mês passado, em Porto Alegre, e reuniu representantes de 156 países, inclusive uma comitiva de Bauru.

Durante o fórum foi realizada a Plenária dos Movimentos Sociais Mundiais, que escolheu o dia 15 como referência em todo o planeta para a luta contra a guerra, conta o professor Geraldo Bérgamo, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Bérgamo, que também é militante do PC do B, lembra que este sábado será o dia que os mais diversos segmentos da sociedade estarão juntos, convergindo em torno da expectativa de que não haja guerra.

Aqui em Bauru, a história de diversidade e tolerância da cidade, composta desde seu surgimento pela migração de muitas pessoas, deve ajudar, espera. “O sentimento contra a guerra deve colocar Bauru em sintonia com o pensamento e os movimentos mundiais. Afinal, ser contra a guerra faz parte da luta civilizatória do ser humano”, frisa.

Para ele, não só Bauru, mas o Brasil inteiro tem papel fundamental nessa história. “A solidariedade brasileira é de caráter nacional, constituindo um exemplo de tolerância para o mundo”, frisa.

Atualmente, milhares de pessoas estão se organizando e pedindo uma solução pacífica para a situação no Iraque, tentando conter um ataque americano ao país de Saddam Hussein. Associado a outros comitês do Brasil e do mundo, as manifestações realizadas neste dia 15 vão permitir que seja ouvida a opção do povo pela paz.

Apesar da reunião ter sido convocada pelo PC do B, Bérgamo reafirma o convite a todos os interessados. “Alguém tem que dar o pontapé inicial, mas esta reunião é suprapartidária. Estão todos sendo chamados a participar”, afirma.

Comunidade árabe

Halim Nagem Filho, presidente do Clube Monte Líbano de Bauru, chama a atenção para os conflitos que podem ocorrer no caso de uma guerra. “Minha opinião pessoal é de que uma guerra pode gerar um rancor muito grande, e levar a uma separação entre muçulmanos e não-muçulmanos no mundo. Além disso, haverá uma crise econômica imensa”, alerta Nagem.

Ele lembra da importância de grupos que pedem a paz. “Uma voz sozinha pode não ser ouvida, mas quem sabe se milhares de vozes, vindas do mundo inteiro, não levam o presidente Bush a pensar se esta guerra serve ou não”, diz,

• Serviço

A reunião para discutir o ato ecumênico e a criação do Comitê Contra a Guerra em Bauru será amanhã, às 19h30, na sede do PC do B, que fica na rua Gérson França, 6-66.

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