Polícia

Osvaldinho receita esporte contra crime

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Na companhia do amigo Fábio Nogueira, que conheceu quando ainda vivia na Sociedade Beneficente Cristã (antigo Paiva), o jogador de futebol Osvaldo Proença, o Osvaldinho, acredita em duas alternativas de vida para os menores carentes: a vida do crime ou a do esporte.

Pela experiência de sucesso que obteve, recomenda a segunda. Ele aguarda uma resposta de um time europeu para deixar o Brasil, depois de passar o ano de 2002 jogando no Rocha, um time da segunda divisão do Uruguai.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - Como é que vocês foram parar no Paiva? Osvaldinho - Me disseram que eu cheguei com um mês, mas ninguém soube informar quem me deixou lá. Por isso, os administradores da sociedade se tornaram meus pais.

Fábio - Eu cheguei com 10 anos, depois que minha mãe morreu de meningite. Hoje, minha família são os amigos que conheci lá, como o Osvaldinho, que sempre me ajuda nos momentos difíceis.

JC - Osvaldinho, como o sua aptidão para o futebol foi descoberta? Osvaldinho - Um professor de futebol do Colégio Atheneu Estoril foi fazer um trabalho voluntário no Paiva. Ele me viu jogando e me convidou para integrar o time da escola. Depois, fiz teste no São Paulo Futebol Clube. Mas na época estava estudando e não pude me transferir para a Capital. Além disso, foi a primeira vez que deixei a fazenda e fiquei assustado com a cidade.

JC - E depois, o que aconteceu? Osvaldinho - Joguei no Garça e, em 1997, fui para o Noroeste, na categoria juniores. Depois segui para outros times do Interior até chegar no Rocha, no Uruguai. Agora aguardo uma definição de um time europeu.

JC - Qual time? Osvaldinho - Não posso adiantar. Ainda não está certo. As chances são de 95%.

JC - E o que você fez neste período Fábio? Fábio - Trabalhei numa loja de jóias, mas estou parado, procurando emprego há três anos. Voltei a cursar a 8ª série.

JC - Durante esse percurso, já desanimaram? Osvaldinho - Muitas vezes pensei em desistir de lutar, mas sempre alguém segurou na minha mão e apoiou. E foi isso que eu quis fazer aqui hoje.

Fábio - Já pensei até em tirar minha vida. Ainda tenho muitos traumas, mas tento superar as dificuldades com o apoio dos amigos. Para quem tem pai e mãe é mais fácil.

JC - O que vocês quiseram transmitir hoje (ontem)? Fábio - Que as pessoas mais humildes enfrentam mais dificuldades e que precisam de mais determinação para superá-las. Vale a pena.

Osvaldinho - Só sai vencedor quem sabe administrar os altos e baixos. Não se deve desistir nunca, por mais difícil que a situação se apresente.

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