Economia & Negócios

Catraca preocupa os trabalhadores

Da Redação
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Duas assembléias realizadas ontem com cerca de 80 trabalhadores, entre componentes da chapa de oposição do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários (Sindtran) e simpatizantes das idéias da ala, discutiram e rejeitaram a instalação da catraca eletrônica nos ônibus coletivos da cidade.

As reuniões foram realizadas na sede do Sindicato dos Trabalhadores de Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e Materiais Elétricos, em razão da crise que há entre a atual diretoria do Sindtran e a oposição.

A adoção de catracas eletrônicas nos coletivos urbanos em Bauru acarretaria a dispensa de uma média de 500 cobradores, segundo levantamento feito pela categoria, que se posiciona contra.

Outros problemas discutidos foram a incerteza de quem será o futuro presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Bauru e Região (Sindtran), a redução dos veículos nas ruas e a proposta de uma junta governativa, que ficaria no poder durante 120 dias até que uma nova eleição fosse realizada.

Segundo José Balbino da Silva, suplente de diretoria da chapa de oposição, outros pontos importantes de discussão foram, além da implantação da catraca, a definição da data-base, que, segundo ele, na gestão de Elias Pinheiro da Silva não foi discutida com os trabalhadores.

“A implantação da catraca só irá trazer prejuízos para os trabalhadores. Os cobradores serão demitidos e apenas alguns serão recontratados como motoristas”, declarou José da Silva. Ele disse ainda que a data-base do dissídio coletivo tem que ser votada até 31 de março para que as perdas salariais sejam repassadas já no mês de maio para os funcionários.

O presidente do sindicato, Elias Pinheiro da Silva, cuja representação é contestada pela oposição, também é contra a instalação de dispositivos eletrônicos. De acordo com ele, em reunião realizada ontem entre o sindicato, representantes das empresas de transporte e do poder público da cidade, discutiu-se a permanência dos cobradores no interior dos ônibus.

“A tecnologia avança e provoca o desemprego, mas ela está aí e não podemos ignorá-la, por isso, pedimos que a prefeitura assine um acordo para que os funcionários não sejam demitidos”, disse Elias da Silva, reforçando que falta apenas o aval do prefeito para que os cobradores tenham estabilidade nas empresas durante os próximos cinco anos.

Silva disse ainda que o sindicato faz todo ano o acordo sobre a recuperação das perdas salariais e adiantou que este ano o dissídio vai ficar em torno de 20%.

A dúvida

Outro assunto discutido com ênfase foi a realização de uma outra eleição para que seja escolhido o coordenador do sindicato. Para Elias da Silva, esse assunto está encerrado e as atenções devem estar voltadas apenas para a continuação do trabalho e para a instalação da catraca eletrônica.

“Eu quero deixar claro de uma vez por todas que todos os procedimentos jurídicos por eles apresentados serão contestados por mim até que chegue um que eu não possa recorrer. Para mim, agora, nosso objetivo é continuar o trabalho que é um dos melhores do Estado”, declarou, acrescentando que a oposição quer denegrir a imagem da associação.

Já para Ademar Libanio Sério, o Roquinho, um dos organizadores da chapa de oposição, esse assunto ainda tem que ser resolvido. Segundo ele, a opção agora é organizar uma junta governativa em que nove trabalhadores assumiriam a coordenação do sindicato.

“Faremos uma assembléia no próximo dia 25 de fevereiro na sede do Sindtran para eleger essa junta, pois a categoria não pode ficar sem um presidente”, disse Roquinho, enfatizando que é um direito do funcionário. “A lei quem faz é o trabalhador.”

Entre os trabalhadores presentes, o clima era de dúvida sobre a próxima gestão e, conseqüentemente, sobre a resolução dos problemas apresentados na assembléia. Para os participantes, a solução é apenas uma: a troca de diretoria.

“Ele deveria respeitar o trabalhador que quer mudar. O sindicato até hoje não fez nada pela categoria, ele beneficia mais o lado patronal do que o dos trabalhadores. Para mim, as eleições não foram válidas, até porque, por decisão judicial, o Elias da Silva deveria ter feito outra eleição e ele não acatou a ordem”, delarou um dos participantes da reunião que não permitiu que seu nome fosse divulgado com medo de represália dos patrões e do próprio sindicato.

“Ele não está representando nada, não faz nada, seria melhor sair e dar o lugar para alguém que quer melhorar a vida dos trabalhadores”, disse um outro funcionário do transporte urbano de Bauru que também não quis ser identificado.

Os trabalhadores enfatizaram ainda que nas eleições realizadas no início do ano, as cédulas foram apresentadas apenas depois deles assinarem o livro de presença e só assim perceberam que tinha apenas uma chapa registrada.

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