Turismo

Itu

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Há algum tempo, quando o nome Itu era citado, a primeira coisa que vinha à cabeça era a fama de suas coisas gigantes. O sorvetão, o orelhão, o semáforo da praça. Tudo grande, enorme e exagerado a ponto da cidade ficar conhecida assim nos quatro cantos deste e outros continentes.

Mas como essa fama surgiu? Um antigo morador da cidade conta que tudo começou numa brincadeira na televisão, num quadro em que o pioneiro Manoel da Nóbrega conversava com o comediante Francisco Flaviano de Almeida, o caipira Simplício, na “Praça da Alegria”.

Folheando os jornais do dia, na praça da cidade, Manoel era interpelado por Simplício que começava assim seu diálogo semanal: “- Ô, home!”.

O pai de Carlos Alberto, hoje responsável pela “Praça é Nossa”, dava um pulo e passado o susto passava pacientemente a ouvir as histórias do caipira que exagerava sobre coisas e fatos de Itu, sua terra natal.

A grandiosidade fez a fama da cidade. E como não podia deixar de ser motivou os comerciantes a usá-la como marketing para incrementar suas vendas. Até hoje, três décadas do auge do programa, a cidade exibe na praça central um orelhão e um semáforo gigantes e algumas lojas que ainda vendem produtos “ituanos”, como lápis, dados, cigarros e brinquedos em tamanho descomunal.

Berço da República

Brincadeiras à parte, Itu tem muito mais a oferecer ao visitante. Berço da República - foi nela que nasceu o primeiro presidente civil do Brasil, Prudente de Moraes - e foi arquitetado o movimento, a cidade tem prédios históricos, trilhas por onde passaram os bandeirantes, fazendas centenárias e parques com raridades geológicas.

Isso sem falar no Bar do Alemão, referência gastronômica no Interior paulista e o fato da cidade ser uma das poucas do Brasil com traçado original preservado.

Localizada a 92 quilômetros da Capital Paulista e a duas horas e meia de carro de Bauru, Itu é um lugar atraente para passeios de final de semana, por conta de lendas, sabores e história política, cultural, artística e religiosa do Brasil.

Seu marco de fundação é uma pequena capela erguida em 1610 por Domingos Fernandes em louvor à Nossa Senhora da Candelária, padroeira de Itu.

Fundada em 1780, a igreja tem em seu interior obras de pintores famosos como José Ferraz de Almeida Júnior, Padre Jesuíno do Monte Carmelo e Lavínia Cereda.

Além dela, o município mantém outras igrejas construídas de forma artística e diversos casarões que guardam muitos anos de história. Muitos deles estão tombados pelo patrimônio Histórico Nacional.

Milagres de Bentinho

Na língua tupi-guarani a palavra Itu significa árvore de madeira muito dura e folhas pequenas. Mas entre seus moradores é conhecida como Berço da República, Terra da Convenção Republicana e Roma Brasileira, denominação que ganhou pelo grande número de católicos ali residentes.

Um servo de deus, o padre Bento Dias Pacheco, conhecido como padre Bentinho, nasceu em Itu, na Fazenda da Ponte. A ele são atribuídas muitas graças. Hoje, os ituanos procuram junto ao Papa sua beatificação, primeiro degrau para colocá-lo no altar dos santos brasileiros.

Embora pertencesse a uma família rica, Bentinho viveu junto aos escravos de sua propriedade agrícola e com leprosos com quem dividiu sua fortuna e afeto.

Embora ficasse 42 anos junto aos portadores de hanseníase que eram estigmatizados no passado, Bentinho nunca contraiu a doença. Foi o pai dos párias, o amigo, o médico que cuidava de suas feridas, enfim, o anjo que os ajudava a carregar a pesada cruz da doença.

Faleceu em 6 de março de 1911 e seu túmulo, ao lado da capela do Senhor do Horto, é muito visitado pelos fiéis.

Desde 1979, Itu está classificada como estância turística. Além do aspecto histórico, é perfeita para quem gosta de turismo rural e férias bucólicas incluindo a ordenha de vacas e o cheiro da terra.

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