Bairros

'Galeria da Nações nunca foi limpa'

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

As inundações registradas na avenida Nações Unidas são decorrentes da obstrução das galerias de água pluvial, que nunca foram limpas. É o que defende o engenheiro e sex-secretário das Administrações Regionais (Sear), Celso Donizete.

Para ele, devido à falta de manutenção preventiva, uma nova tragédia pode acontecer, já que o volume de água que corre pela avenida, da quadra 4 a 36, tende a aumentar.

Na opinião do ex-secretário, o concreto e a capa asfáltica levantados durante os temporais são empurrados para dentro das galerias, que permanecem entupidas. “Quando estava na administração, cheguei fazer um orçamento para contratar uma empresa de limpeza. Gastaríamos R$ 160 mil. Mas o projeto não vingou”, esclarece.

Seus cálculos indicam que, desde 1998, a prefeitura reparou 16 vezes os mesmos pontos da Nações castigados pela chuva. “Se aplicassem o mesmo montante na execução de galerias complementares, o problema seria amenizado”, enfatiza.

Donizete ainda aponta a carência de bocas-de-lobo como também responsável pelas dificuldades enfrentadas pelos usuários da avenida durante a temporada de chuvas. “São apenas 142 instaladas em toda a sua extensão. O número deveria ser o dobro. Assim, seria possível dar vazão às águas que chegam pelas ruas da Vila Universitária”, explica.

Ele ainda ressalta que na altura da quadra 20, a tubulação sofre um estrangulamento, já que o diâmetro e o formato dos tubos são diferentes. “Até 1976, a tubulação era circular e contínua. Depois, parte dela foi substituída por uma oval, de tamanho maior. Conclusão, a água sofre refluxo, o que facilita a formação de erosões nos canteiros”, alerta.

Indignado, o ex-secretário também enfatiza a inexistência de poços de visita, que permitiriam a manutenção ágil da rede, além de proporcionar a ventilação necessária para o escoamento rápido da água.

Donizete acredita que se a administração municipal se atentasse para o problemas citados, poderia evitar a inundação da avenida dispensando apenas 20% dos custo que será aplicado no projeto de barragem, que irá consumir R$ 12 milhões. “Sem as medidas relacionadas, a barragem não será eficiente”, conclui.

____________________Discordância

A secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano, discorda do ex-colega Celso Donizete em vários pontos. Segundo ela, a tubulação da avenida Nações Unidas não precisa ser desobstruída porque é limpa naturalmente devido à força d’água que flui por ela.

“A manutenção é imprescindível em galerias pequenas, mas não naquelas de grande dimensão. Além disso, técnicos especializados que vieram a Bauru estudar o projeto de barragem ressaltaram a grande quantidade de bocas-de-lobo. O que está subdimensionada é a tubulação”, diz.

Contudo, Rigitano explica que não é viável ampliá-la, transferindo o problema de inundação da Nações Unidas para a avenida Nuno de Assis, já que as galerias deságuam no rio Bauru. “A opção mais moderna é a instalação da barragem, que represaria a água por um período. Depois, ela seria liberada aos poucos”, frisa.

Com relação à falta de ventilação, ela esclarece que as bocas-de-lobo servem como entrada de ar e facilitam o fluxo da água. â€œÉ difícil discutir algumas questões com leigos porque eles têm soluções mirabolantes, mas que não condizem com a realidade.

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