Médicos de todo o mundo advertem, há várias décadas, que o excesso de gordura é uma das principais ameaças à saúde. Gordura saturada, gordura insaturada, colesterol e triglicérides são palavras que se tornaram comuns no vocabulário de todas as pessoas preocupadas com seu próprio bem-estar. Mas, afinal, o que são essas gorduras e por que elas são tão perigosas?
A primeira coisa que precisa ser esclarecida é que os lipídios (gorduras) são tão importantes para a sobrevivência e o funcionamento do organismo como todos os outros nutrientes - carboidratos, vitaminas, proteínas, sais minerais e água.
A gordura participa da produção de vários hormônios, especialmente os sexuais e os supra-renais. Também é essencial para a síntese de alguns nutrientes, como a vitamina D, que fixa o cálcio e o fósforo nos dentes e ossos.
Ela contribui para o desempenho das funções naturais das membranas de cada célula. Acumulada sob a pele, protege o corpo do frio e de choques (pancadas), além de ser uma das mais potentes fontes de energia para o organismo.
O problema aparece quando, por diversas razões, o corpo começa a acumular essa gordura em quantidade muito superior à necessária. O excesso de colesterol e triglicérides tende a ser depositado em regiões do corpo que não foram criadas para isso. Os efeitos desse desequilíbrio vão desde um desagradável aumento de peso até o entupimento de veias e artérias.
Pesquisadores da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) mostraram, no ano passado, que os níveis de colesterol do brasileiro estão acima dos encontrados na população norte-americana, que tem fama de obesa por seus hábitos alimentares inadequados. Cerca de 40% dos 82 mil brasileiros ouvidos pelo levantamento disseram ter colesterol alto, contra 36% dos norte-americanos.
O excesso de triglicérides também já foi pesquisado na população brasileira. Estudo da Universidade de São Paulo (USP) feito em nove capitais constatou que 21% das pessoas têm as taxas dessa gordura elevadas.
Estes números indicam que o brasileiro precisa rever seus hábitos, principalmente os alimentares e esportivos. Afinal, a dislipidemia - como foram batizadas estas alterações de gordura - é um dos principais fatores de risco para problemas cardíacos. Atualmente, as doenças cardiovasculares são a maior causa de morte no País.