Saúde

Arteriosclerose é principal conseqüência

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O maior problema do excesso de colesterol e triglicérides no organismo é que parte destas gorduras pode depositar-se nas paredes internas de veias e artérias, formando placas (ateromas). Isso causa um estreitamento nessas estruturas, o que torna a passagem do sangue mais difícil.

O cardiologista João Urias Brosco compara a circulação sangüínea a um rio, por onde a água corre naturalmente. Quando encontra uma curva, parte da água muda seu trajeto e turbilhona, formando um rodamoinho.

“Nas artérias é assim, o sangue corre numa superfície lisa, de repente encontra um obstáculo (ateroma), e turbilhona. Só que o sangue coagula, como o leite que vira manteiga quando colocado numa batedeira”, salienta o médico.

As partículas coaguladas começam a se acumular junto com as placas de gordura até que, num dado momento, interrompem totalmente a passagem do sangue. Dependendo da artéria, da veia e da região do corpo em que isso acontece, a pessoa pode ter uma angina, um infarto, uma trombose, um derrame, ou outra doença correlacionada.

Então, supondo que o ateroma localiza-se numa artéria de grosso calibre. O sangue começa a coagular naquele trecho do percurso até que, num momento qualquer, a passagem está tão estreita que ele tem que fazer uma pressão muito grande para passar. Essa “força” pode causar uma angina - dor muito forte no peito, acompanhada de adormecimento nos membros.

Uma pessoa que sofre uma angina é séria candidata a sofrer um infarto - basta o sangue não conseguir passar. Quanto mais gordura, maior é o ateroma e mais facilmente o sangue se coagula. O que antes era um estreitamento chega a bloquear totalmente a circulação sangüínea.

Quando isso acontece nas artérias que passam pelo coração, o músculo cardíaco daquela região afetada deixa de receber oxigênio. A ausência prolongada ou súbita do oxigênio (isquemia) mata as células daquele músculo (necrose) e aquela região deixa de funcionar. É o infarto.

Se o estreitamento ocorre nas artérias que passam pelo cérebro, a pessoa pode sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), mais conhecido como derrame. “O AVC pode ser isquêmico ou hemorrágico. O hemorrágico (quando a veia ou artéria se rompe num aneurisma, por exemplo) é fatal em mais da metade dos casos e o isquêmico costuma deixar seqüelas”, explica o médico.

Mas as placas de gordura podem formar-se em qualquer outra parte do organismo, até mesmo nas veias e artérias mais finas das extremidades. Neste caso, a falta de circulação pode levar à trombose ou mesmo gangrena, com conseqüente amputação de membros.

Resumindo, o sangue é o veículo que transporta oxigênio e nutrientes para cada uma das bilhares de células que compõem o organismo. Se o sangue não chega adequadamente, as células começam a morrer. Portanto, os ateromas podem danificar e matar qualquer região do corpo.

____________________

Colesterol bom, colesterol ruim

De acordo com o cardiologista João Urias Brosco, o conceito de bom ou ruim surgiu quando pesquisadores conseguiram fracionar a molécula do colesterol. Descobriu-se que a molécula tinha partes mais densas e outras menos densas.

À fração mais densa da molécula, eles deram o nome de HDL (high density lipoprotein - lipoproteína de alta densidade). As frações menos densas do colesterol foram batizadas de LDL (low density lipoprotein - lipoproteína de baixa densidade) e VLDL (very low density lipoprotein - lipoproteína de muito baixa densidade).

“Os estudiosos perceberam que alguns pacientes tinham colesterol elevado, mas não apresentavam doença arteriosclerótica. Eles observaram que estes pacientes tinham o HDL alto”, explica o médico.

Por isso, concluiu-se que a gordura HDL é benéfica ao organismo, ela desempenha uma função protetora do sistema cardiovascular. Por isso, o HDL é considerado colesterol bom.

Já as frações mais “leves” da gordura mostraram-se bem mais agressivas, com grande facilidade de aderir à parede das veias e artérias, formando as placas de ateroma. Portanto, o LDL e o VLDL são chamados colesterol ruim.

Comentários

Comentários