Política

Perícia acha digitais na lente zoom

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A delegada-assistente da Delegacia Seccional de Bauru, Cláudia Garmes Armani, presidente do inquérito policial que apura denúncias de irregularidades na Câmara Municipal, informou ontem que a perícia técnica localizou quatro fragmentos de digitais na lente zoom, adquirida pelo Poder Legislativo em dezembro de 2001 para equipar uma máquina de microfilmagens ao custo de R$ 2.280,00.

O resultado da perícia já foi encaminhado ao Instituto de Criminalística, em São Paulo, para análise e processo de identificação. A delegada requereu urgência na resposta, que deve chegar até sexta-feira.

A lente zoom da marca Cannon, fornecida pela empresa VF Informática, de Lençóis Paulista, apareceu misteriosamente na manhã do dia 9 de dezembro passado no depósito de impressos do Poder Legislativo.

O equipamento fazia parte da lista de materiais comprados pela Casa que não estavam sendo localizados nos setores nos quais deveriam constar como patrimônio incorporado.

A lente foi achada por volta das 8h30 pelas servidoras Maria Cleusa Maciel Rodrigues e Lenir Correa. Elas foram até o depósito de impressos para arquivar um calhamaço de documentos.

Já no interior do depósito - cujo acesso é feito pela cozinha -, Cleusa e Lenir se depararam com uma pequena caixa lacrada, acomodada em uma das prateleiras que abriga formulários e documentos arquivados.

Ao abrirem a caixa, elas foram surpreendidas com a lente zoom no seu interior. A polícia foi chamada para registrar a situação. O equipamento foi apreendido para análise.

A embalagem que abrigava o equipamento traz o emblema de uma empresa de rebites - Rebitop - estabelecida em Mauá/SP. Aparentemente, ela não tem relação com o comércio de lentes.

Embora tenha número de série e inscrições que levam a crer se tratar-se de uma lente importada, modelo zoom, o equipamento não apresentava visível a sua marca.

No depoimento que prestou à Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras, a chefe do setor de microfilmagem do Poder Legislativo, Margarida Dota, afirmou que nunca pediu a aquisição da lente zoom. Ela também garantiu que o equipamento que teria sido comprado não foi incorporado ao patrimônio do setor.

Mistério

Além da lente zoom, outros equipamentos apareceram misteriosamente no prédio da Câmara. No dia 29 de novembro passado, o chefe da Zeladoria, Bibiano Camargo Neto, encontrou um envelope no balcão da entrada principal do Legislativo.

Dentro dele, foram encontrados os CDs dos softwares Corel Draw e Acrobat com um bilhete. Os programas teriam sido comprados pela Câmara, através da empresa VF Informática, em outubro do ano passado ao custo de R$ 1.809,00.

No mesmo dia, logo após achar o envelope, o zelador também localizou três cartuchos de tonner para máquina de microfilmagem. De janeiro de 2001 até março deste ano, o Legislativo teria comprado 13 cartuchos do material.

Destes, somente três foram utilizados e o restante estava desaparecido. Segundo cálculos dos membros da CEI das compras, a quantidade de cartuchos daria para suprir por 13 anos a demanda de serviço do setor.

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