Agudos - Um trabalho de parceria iniciado há pouco mais de um ano, entre a prefeitura e a Associação Rural de Agudos e Região (Arar) já está mudando o cenário agrícola do município e gerando novos empregos no campo. Cerca de 200 alqueires de terras que estavam abandonadas após vários plantios de cana de açúcar, exibem hoje diversas plantações de milho, melancia, tomate e abóbora.
Os alqueires foram comprados ou arrendados por pequenos produtores que receberam da prefeitura os serviços de trator para o preparo da terra, orientações e acompanhamento do engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura e o incentivo da Associação Rural que foi também a intermediadora junto ao prefeito Carlos Octaviani para a cessão do trator.
Além de disponibilizar as orientações do engenheiro agrônomo, Octaviani deixou o trator e o tratorista à disposição dos pequenos e médios produtores, que são quem mais têm dificuldades para conseguir os serviços, primeiro pela dificuldade de encontrar um trator adequado para o preparo da terra e segundo pelo alto custo.
De acordo com o presidente da Arar, Ademar Simões, atualmente o preço de uma hora de trabalho do trator custa R$ 40,00. O serviço feito pela prefeitura está saindo por R$15,00, o que segundo ele está ajudando muito os agricultores, principalmente os pequenos.
Cerca de 35 produtores foram beneficiados com os serviços do trator que faz a preparação da terra para o plantio.
Graças a esta ajuda da Prefeitura e da Associação e à possibilidade de poder comprar um pedaço de terra, o produtor rural Marcos Rodrigues Redicopa, está há um ano sustentando a família e empregando outras pessoas, no cultivo de tomates e plantação de melancias.
Em uma área de um alqueire, Marcos construiu várias estufas que já lhe renderam algo em torno de cinco toneladas de tomates e 30 toneladas de melancia.
A caixa do tomate é vendida pelos produtores a preços que variam de R$15,00 a R$18,00 e a melancia avaliada por quilo chegou a custar R$0,40 centavos em dezembro de 2002. Atualmente, segundo Marcos, o preço caiu para R$0,20 o quilo.
O arredendatário Márcio Tadeu Lima é outro pequeno produtor que está sendo beneficiado pelos serviços de trator da Prefeitura e incentivos da Associação.
Numa área de 11 alqueires Márcio plantou melancia e abóbora e em outros 15 alqueires está cultivando milho. Márcio também vive da produção agrícola e diz estar animado com a ajuda recebida.
De acordo com o agricultor, o trator cedido pela Prefeitura, a melhoria nas estradas e o acompanhamento da Associação têm sido importantes, tanto para o produtor como para quem precisa de um emprego. Em épocas de plantio e de colheita, Márcio chega a empregar nove trabalhadores rurais.
Tanto Marcos Rodrigues Redicopa e Márcio Tadeu Lima só reclamam das dificuldades que os pequenos produtores sofrem na hora de conseguir um financiamento junto ao governo.
O engenheiro agrônomo da Prefeitura, Luiz Aleixo Cezarotti conta que o que tem acontecido no município de Agudos hoje é que grandes propriedades rurais estão sendo fracionadas em pequenas áreas e possibilitando que pequenos produtores possam comprar suas terras e cultivar produtos que não exigem grandes extensões, como é o caso do tomate e da melancia.
A área rural de Agudos possui 90 mil hectares de terras. Deste total 70 mil hectares são terras cultivadas, principalmente com pastagens, reflorestamento e cana . Sendo que 50% da área rural é formada por pastagem, 20% reflorestamento, 8% cana e 4% cultura agrícola anual, como milho e melancia e cultura permanente, como café e seringueira.
Os 18% restantes são locais inadequados para cultivos, como margens de rios, morros, etc.
Pecuária domina
A criação de gado é a principal atividade rural do Município de Agudos, motivo pelo qual 50% da área agrícola é ocupada por pastagens. Segundo o engenheiro agrônomo, Luiz Aleixo, Agudos possui um rebanho de aproximadamente 50 mil cabeças, entre gado leiteiro e de corte.
Por isso a parceria entre a prefeitura e a Associação está visando também a melhoria no setor pecuário. Esta melhoria está acontecendo através da renovação das pastagens, com aplicação de calcário, um produto razoavelmente barato, mas que esbarra na dificuldade do transporte.
Para resolver este problema a Associação procurou o prefeito que disponibilizou um caminhão para atender os produtores.
Em menos de um ano já foram transportadas 400 toneladas de calcário para fazer a calagem dos pastos. Num passeio por algumas das propriedades rurais atendidas é possível ver vastas extensões de pastos verdes.
De acordo com o presidente da Associação e pecuarista, Ademar Simões, a renovação e a boa qualidade da pastagem influencia diretamente na qualidade do rebanho.
Ademar Simões destaca a atuação da prefeitura. “Com a ajuda municipal já temos plantação de melancia, de tomate, de abacaxi, milho, cana, feijão, ocupando a zona norte do Município. As pastagens degradadas estão sendo recuperadas em ritmo acelerado. Essa é uma maneira de combater a fomeâ€, afirma Ademar Simões.
Além de produzir para comercializar, como é o caso dos produtores de tomates e melancias, o incentivo ao plantio é na opinião do presidente da Associação, uma alternativa para os produtores de gado e outros animais, como porcos e galinhas que muitas vezes compravam o milho na cidade.
“Hoje eles já estão plantando para consumo próprio. E em breve terão que fazer de novo o paiol, para guardar o milho produzidoâ€, aposta Ademar Simões.
Animado com os resultados conseguidos na área rural do município de Agudos, num trabalho de apenas 1 ano, o presidente da Associação já tem novas metas para 2003: realizar a Feira do Produtor e implantar um laticínio.
Serviço
A Associação Rural de Agudos e Região (Arar) possui 90 associados, entre agricultores e pecuaristas. Interessados em participar podem entrar em contato pelo telefone 3261 1339, ou na sede da Associação que fica na Rua 13 de Maio, nº 242, sala 222, de segunda a sábado, das 8h às 12h.