O propósito comum de acabar com a guerra do Vietnã por parte do presidente Kennedy, de seu irmão Robert e de Marthin Luther King Jr. colocam sob profunda suspeita de seus assassinatos a indústria bélica estadunidense. Vale a pena assistir JFK, o filme.
Afinal, US$ 220 bilhões gastos em guerras na Ásia (conforme é informado no próprio filme) são uma tentação para qualquer mortal que possua interesses diretos em tal empreendimento.
Pouco importam os 58 mil mortos, especialmente se a maioria for afro e latino-estadunidenses, desde que oferecidos por oblação ao deus Mercado. E como já ficou provado nos recentes escândalos financeiros envolvendo grandes empresas nos EUA, os bons princípios éticos não fazem parte da cartilha pela qual regem seus negócios.
Por outro lado, quem deposita seu lixo nuclear na forma de bombas - urânio empobrecido - sobre a população civil de seus inimigos, não pode ser muito digno de nossa confiança...
Haveria algum limite ético ou moral para a indústria bélica estadunidense manter ou incrementar seus negócios?
Não seria muito conveniente que a CIA estimulasse ou permitisse terroristas islâmicos, velhos instrumentos da política hipócrita dos EUA contra seus inimigos comuns, numa investida ao WTC, sacrificando “apenas†umas 3 mil vidas e permitindo a obtenção do Congresso Nacional de uma verba fantástica para nova cruzada armamentista contra o inimigo?
E se ainda tivesse algo mais apetitoso em jogo, que pudesse ser colocado no mesmo balaio, satisfazendo também aos interesses petrolíferos? Um gasoduto passando por um país submisso e a segunda maior reserva de petróleo do mundo, por exemplo?
E, se o fato de que o Iraque e a Venezuela estão mudando a moeda utilizada em seus negócios para o Euro, estiver prometendo uma instabilidade ainda maior para a combalida economia estadunidense? Como sempre, para decidirmo-nos sobre os maiores problemas de nossa existência, há muitas dúvidas e poucas provas concretas.
Mas, para onde estas dúvidas apontam? Devemos ou não nos posicionarmos preventivamente sobre estes problemas, considerados os mais relevantes do atual momento histórico? Viver é correr risco. Decidir também. Não importa a decisão que tomarmos... Nem nossa omissão diante dos fatos. (O autor, Heitor Reis, é engenheiro civil)