Todo governante quer manter permanentemente com o povo um canal de comunicação, e para tanto se esforça para parecer um homem simples, caso seja culto; e culto, caso não tenha muito estudo. No caso do professor doutor Fernando Henrique Cardoso, essa tarefa pareceu-me penosa ao mesmo, principalmente quando tentava explicar em tom coloquial as suas idéias; ficou famoso o seu nhem-nhem-nhem, e quase o crucificaram quando a palavra “vagabundos†foi tirada do contexto de sua fala.
Na última semana de fevereiro, o presidente atual soltou também duas pérolas linguísticas, que passaram despercebidas da grande imprensa. A primeira foi quando num momento de erudição disse que não estava fazendo proselitismo. Antes de mais nada é importante traduzir-se o que significa proselitismo, que segundo o “Aurélio†é a atividade do “indivíduo convertido a uma doutrina, idéia ou sistemaâ€. Ora, quem nos últimos 20 anos acompanhou os pronunciamentos do político Luiz Inácio Lula da Silva, o qual pregava uma mudança radical em tudo que estava sendo feito no País, e que agora vê o mesmo cidadão ocupando a Presidência da República, e defendendo tudo que combatia, não consegue encontrar uma outra palavra para definir sua pregação atual.
A segunda pérola foi quando disse que os sindicatos deveriam ser menos corporativistas e se preocupassem também com os demais cidadãos que não têm representatividade. Ora, senhor presidente, V. Exa. como ex-sindicalista deveria saber que a essência do sindicalismo é o corporativismo. É para defender os interesses de sua corporação profissional que existem os sindicatos. Querer mudar essa regra é como querer revogar a lei da gravidade. Sendo que para defender os demais cidadãos que não são sindicalizados é que foram eleitos deputados e senadores, vereadores, prefeitos, governadores e o próprio presidente da República. Grato pela publicação. (Antonio Vitorino Ferreira - RG: 9.817.501)