Guerra no Iraque 2003

Líderes mundiais condenam ataque

Agência Folha
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Rússia - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu ontem que os EUA interrompam imediatamente os ataques contra o Iraque, em seu primeiro pronunciamento contra a ação norte-americana ao país de Saddam Hussein.

“Uma ação militar não pode de forma alguma ser justificável. A ação militar é um grande erro político.” Horas antes, o governo russo havia dito “lamentar que a crise iraquiana seja resolvida pela força militar, sem uma decisão do Conselho de Segurança (CS) da ONU”. A declaração foi feita pelo o primeiro-ministro russo, Mikhail Kassianov.

No primeiro pronunciamento oficial depois do início da guerra, o presidente da França, Jacques Chirac, disse que seu governo lamenta o ataque dos EUA contra o Iraque e que espera que o conflito seja rápido e cause o menor número de vítimas possível.

“Nós esperamos que esta operação seja rápida, termine o mais rápido possível, cause o menor número de vítimas e não cause uma catástrofe humanitária”, disse Chirac.

O governo alemão expressou ontem sua “grande preocupação e consternação”, após o “início da guerra contra o Iraque’ e ofereceu ajuda humanitária ao país. Em um comunicado emitido em Berlim, o governo alemão afirma que “com França, Rússia e outros associados”, realizou “grandes esforços para possibilitar um desarmamento pacífico do Iraque e impedir a guerra”.

O primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadt, condenou ontem o ataque norte-americano ao Iraque, que qualificou de “renúncia à ordem jurídica internacional’. “Seguimos pensando que a renúncia à ordem jurídica internacional representa um preço muito elevado pelo desarmamento (....) do Iraque’’, disse o premiê.

O primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, afirmou ontem que seu país apóia firmemente o ataque liderado pelos Estados Unidos contra o Iraque. “O governo espanhol apóia que a legalidade internacional seja restabelecida e sejam cumpridas as condições para garantir a paz e a segurança”, afirmou Aznar, em uma mensagem à nação feita horas depois de iniciada a intervenção militar no Iraque.

A ameaça terrorista “é real e afeta todo mundo”, disse Aznar, em um discurso de dez minutos pronunciado no Palácio de La Moncloa, sede do Executivo espanhol. “Até o momento, não há lugar para neutralidade, indiferença”, declarou Aznar. “Nós assumimos nossas responsabilidades.”

Vaticano

O Vaticano criticou duramente ontem a atitude dos Estados Unidos, país que qualificou de “democracia imperial’ que quer ser “árbitro de tudo”. Existe um grave perigo de “democracia imperial”, pois os Estados Unidos, valendo-se de sua potência militar e econômica, podem “autoproclamar-se árbitros de tudo”, declarou pela Rádio Vaticano o cardeal italiano Roberto Tucci, que foi durante muitos anos o organizador das viagens do papa João Paulo 2.º.

China

A China pediu ontem que a guerra seja imediatamente interrompida e disse que o ataque dos EUA viola as normas do comportamento internacional. O chanceler Tang Jiaxuan recebeu uma ligação de seu colega americano, Colin Powell, a quem disse que “a busca de uma solução política para a questão iraquiana era uma aspiração comum da comunidade internacional”.

O chanceler chinês manifestou preocupação com as consequências humanitárias do conflito e com a possibilidade de ele causar instabilidade regional. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Kong Quan, comentou o início dos ataques. “Expressamos nossa rejeição e desapontamento”, disse.

Árabes

Uma onda de atos hostis ao início da ofensiva americana contra o Iraque se alastrou pelos países árabes ontem. Já as lideranças preferiram ser mais cautelosas, evitando críticas diretas aos EUA.

Em alguns locais houve eclosão de violência. No Cairo, a maior cidade árabe do mundo, enfrentamentos entre a polícia e os manifestantes deixou pelo menos 30 feridos durante ato que reuniu cerca de 5 mil pessoas.

Policiais utilizaram jatos de água para conter manifestantes que lançavam pedras contra eles. Além de criticarem os EUA, os manifestantes também entoaram gritos contra o presidente do Egito, Hosni Mubarak. Mubarak afirmou que ele e outros líderes árabes fizeram o máximo para encontrar uma saída pacífica para resolver a crise iraquiana, mas acabaram falhando devido “à falta de cooperação de Saddam Hussein”.

Grandes manifestações também aconteceram em outros países árabes, como o Líbano, a Síria, a Jordânia e a Líbia. Embaixadas e consulados americanos no Oriente Médio foram fechados por segurança.

Em comunicado oficial divulgado na Arábia Saudita, o ministro das Relações Exteriores e governante de fato do país, o príncipe Saud, expressou “preocupação” e lamentou a guerra. O Irã, que é persa, foi mais duro e classificou as ações no Iraque de “injustificáveis e ilegais”.

O presidente da Turquia, Ahmet Necdet Sezer, questionou ontem a legitimidade do que classificou como uma ação unilateral dos Estados Unidos contra o Iraque. “O processo no Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o Iraque deveria ter sido concluído. Não acho correto que os EUA se comportem unilateralmente antes de o processo ter terminado’’, disse a repórteres Sezer.

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