Regional

Ponte causa transtorno em Duartina

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Duartina - A interdição de uma ponte de concreto no Centro de Duartina tem sido motivo de transtorno para a população.

Localizada na avenida 9 de Julho, uma das vias mais importantes da cidade, a ponte está acomodada sobre o leito do rio Serrote. No final do mês de janeiro, com o registro de fortes chuvas na região, o aumento do volume das águas do rio e as freqüentes infiltrações provocaram rachaduras na cortina de sustentação da obra, que teve parte de sua estrutura desmoronada.

Desde então, a prefeitura interditou o local e aguarda uma verba estadual para poder dar início ao processo de recuperação da obra.

Enquanto isso, pedestres e ciclistas continuam passando pelo acesso, interligado provisoriamente por uma passarela de madeira, de estrutura frágil e visivelmente precária.

Entre os pedestres, os riscos maiores são para as crianças e idosos, como o caso de Firmino Bermejo, 64 anos, que se aventura todos os dias pelo local. “Aqui está muito perigoso, mas como eu tenho que passar para o lado de lá, vou com cuidado”, afirma.

Como medida de segurança, a prefeitura alega que, a princípio, interditou totalmente a área, impedindo inclusive o trânsito para pedestres. No entanto, a proibição não surtiu efeito entre a população e levou a administração pública a improvisar uma passarela de madeira.

Prejuízos

A espera pela reforma tem gerado reclamações por parte de moradores da cidade, já que a ponte, de localização estratégica, é um meio de acesso aos bairros Água Branca, Esmeralda e Vila Duartina, além das estradas que ligam a cidade aos municípios de Fernão, Lucianópolis e Ubirajara.

Segundo o morador João Antônio Vizente, 38 anos, dono de uma borracharia localizada ao lado da ponte, além de dificultar o trânsito de pedestres e veículos, a interdição do local também vem atingindo o trabalho dos comerciantes da região. Ele assegura que o fluxo de serviços no seu estabelecimento diminuiu desde a origem do problema. “O comércio atrasou bastante porque dificultou o acesso da clientela. Para os caminhoneiros, que gastam com a gente, ficou complicado chegar até aqui”, afirma.

Robson José de Oliveira, dono de uma distribuidora de gás também localizada próxima à ponte, confirma os prejuízos dos comerciantes da área. “Isso está trazendo problemas para o movimento. Os clientes tem que dar volta para chegar até aqui e com isso a venda da gente diminui”, alega.

De acordo com ele, o problema está demorando muito para ser solucionado e tem colocado em risco a segurança da população, que insiste em continuar passando pelo local. “Está perigando acontecer qualquer coisa ali mais grave, e se acontecer quem será o responsável?”, questiona.

Segundo dados da própria prefeitura, a obstrução da passagem tem ocasionado, inclusive, prejuízos ao escoamento agrícola de produtos da região.

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Obra antiga

Duartina - A ponte da avenida 9 de Julho, segundo a prefeitura, foi construída em meados do século passado e é a mais antiga da cidade.

O local já teria sido interditado anos atrás, em três ocasiões. Entretanto, os reparos paliativos não impediram o retorno do problema. “Foi feito um aterramento e escoramento com estaca de madeira, preenchendo o local com terra. Mas quando o nível do rio sobe muito, esta água retira a terra que foi colocada”, explica o engenheiro da prefeitura Ilson Doreto.

Segundo ele, um dos problemas principais da construção é o fato de a ponte ter um vão muito estreito, que não suporta grande volume de água. “Com constantes enchentes, o volume de água que passa pela ponte acaba transbordando. E essa força da água acaba solapando as laterais, onde ocorre o desmoranamento do asfalto”, explica

Além disso, segundo o engenheiro, as estacas de sustentação da ponte estão expostas, o que pode gerar o risco de perda total da obra.

Doreto avalia que a solução ideal para o problema seria a construção de uma nova ponte, o que custaria em torno de R$ 350 mil aos cofres públicos. Diante da inviabilidade da obra, a solução mais econômica e eficaz, segundo ele, seria a de um projeto de engenharia que possibilitasse o reforço de toda a estrutura, além da ampliação do comprimento e da largura da ponte.

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