Cultura

Artistas locais apóiam o projeto


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Para o ator Roberto Malini, que também desenvolve um trabalho circense atuando como palhaço, integrar as características obtidas na pesquisa aos projetos culturais é fundamental.

“É interessante, porque Bauru nunca foi uma cidade que realmente valoriza os artistas locais. O censo pode ajudar a melhorar isso, sem dúvida, mas o que não pode é fazer o cadastro e depois não fazer nada, temos que movimentar atividades artísticas”, declara.

Losnak enfatiza a preocupação com os artistas que realizam manifestações populares. “Eles estão ‘marginalizados’, no sentido de estar fora do circuito artístico bauruense, e são eles que mais nos interessam. Nós sabemos que existem atividades mais populares e que talvez não se encontram no eixo cultural. Nós pretendemos identificá-las”, diz.

A socióloga e diretora teatral, Dora Girelli, também concorda que diversos talentos bauruenses vivem no ostracismo. “Bauru é uma cidade na qual o artista vive um pouco no esquecimento, ou porque eles não se interessam ou às vezes por falta de divulgação por parte das autoridades”, declara.

“Acho o cadastro importante, porque fazendo essa garimpagem, a cidade tem a crescer e melhorar muito, porque o próprio Centro Cultural vai ter acesso a artistas que às vezes apresentam seus trabalhos até fora de Bauru”, acrescenta.

Girelli afirma que apóia a realização do censo, mas sugere que os agentes culturais procurem os artistas em seus bairros de origem. “É preciso enfatizar mais, por exemplo, perguntar aos presidentes das associações dos bairros sobre os artistas, porque, às vezes, essas pessoas são muito humildes, principalmente os artesãos, e se de repente for alguém à sua procura, eles vão sentir-se valorizados. É uma idéia”, coloca.

Para o presidente da Liga das Escolas de Samba de Bauru e Região (Lesec), Avelino de Souza, a pesquisa é importante para elaborar projetos culturais para a cidade.

“É interessante, porque se não cadastrarmos, não saberemos o que realmente temos em mãos, aquilo que podemos ou não contar. No caso das escolas de samba, vamos saber as atividades, o número de componentes e a participação de cada escola, e isso vai ajudar, pois já estamos fazendo o projeto para o próximo Carnaval”, diz.

O artesão Gennarino Calabrese, defende a valorização da atividade artesanal e acredita que o censo cultural é uma forma dos órgãos municipais conhecerem os produtores artísticos. “A Secretaria de Cultura vai poder avaliar e fazer uma distinção entre o artesão que realiza um trabalho manual daquele que faz um trabalho industrial”, enfatiza.

Para a também artesã Gislaine Frederich Macegoza, a idéia do censo é boa, mas é preciso que os dados dos artistas estejam seguros com a SMC e não sejam entregues para outras pessoas. “Existe sempre o lado publicitário e alguém pode se aproveitar da situação. Além disso, é preciso, junto com o censo, selecionar os artesãos, verificar se realmente a pessoa é ou não um artesão”, ressalta.

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