Jordânia - As imagens da guerra não são distantes de Abdel-Kadim, um menino somali de 10 anos que fugiu com sua família da guerra no Iraque para um campo de refugiados no deserto da Jordânia.
“Esse é um avião norte-americano. É um U2”, disse o menino ontem, apontando o desenho que fez de um dos aviões que participam da guerra no Iraque.
Abdel-Kadim é uma das 65 crianças no campo de refugiados estabelecido para exilados que fogem da guerra do Iraque. No local, o Unicef (órgão da ONU para a infância) montou uma escola e oferece terapia às crianças. Passadas duas semanas do início da guerra, há muito menos refugiados do que esperavam as agências humanitárias. Só algumas centenas de estrangeiros passaram por ali, mas nenhum iraquiano apareceu.
Em outro campo, montado especialmente para os refugiados iraquianos, o Unicef tem sete tendas funcionando como escolas, com capacidade para 1.000 alunos - número esperado para as duas primeiras semanas da guerra. Mas o campo está vazio, e as tendas nem foram armadas, para evitar que sejam levadas pelo forte vendo do deserto.
As agências ainda tentam entender por que tão poucos refugiados apareceram nesta guerra, ao contrário do que ocorreu na primeira Guerra do Golfo (1991), quando centenas de milhares de pessoas fugiram para a Jordânia.
Alguns acham que desta vez a os iraquianos pensam duas vezes antes de partir porque a viagem até a Jordânia é mais perigosa, por conta da ocupação norte-americana o que não ocorreu em 1991. Além disso, os vários anos de sanções econômicas podem ter deixado a população sem dinheiro para arcar com a viagem.