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RFFSA vai leiloar locomotivas e vagões abandonados no pátio

Da Redação
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A Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) está fazendo um levantamento dos trens fora de operação estacionados no Parque Triagem Paulista, localizado no Jardim Guadalajara, em Bauru. O objetivo é leiloar o material.

A empresa informa que o quadro encontrado é desolador. “O que resta basicamente são as caixas dos vagões e as locomotivas. Os engates, sistemas de freio e as partes menores foram levados”, diz Carlos Henrique Trindade, engenheiro da Rede.

Trindade e Júlio César Duarte estão em Bauru verificando os 136 vagões e cinco locomotivas pertencentes à RFFSA, que foram devolvidos à empresa pela Ferrovia Bandeirantes (Ferroban). Os vagões e locomotivas, como o JC já publicou, têm sido alvo constante de saques. Peças são retiradas para serem vendidas como sucata.

O objetivo da análise é verificar a situação das máquinas, para que elas possam ser leiloadas no prazo máximo de 60 dias. Trindade explica que a vistoria foi antecipada. “A previsão é de que nós viríamos para cá em 15 dias, mas houve um pedido do Escritório da Rede em Bauru para que o trabalho começasse antes justamente em função das ocorrências (saques) registradas”, diz.

O engenheiro conta que a RFFSA deve cobrar da Ferroban o valor das peças que eventualmente tenham desaparecido do local. “Pelo contrato, a concessionária pode devolver ao governo federal os equipamentos que julgar serem obsoletos, mas quando isso é feito ela ainda fica responsável pela guarda do material durante um ano e esse prazo não venceu.”

Ele afirma também que a RFFSA tem um controle minucioso do que recebeu de volta. “O nosso setor de arrendamento anota tudo o que foi entregue. É com base nesse relatório que estamos fazendo o nosso trabalho. Somente depois dessa análise é que o leilão pode ser feito”, explica Trindade.

A assessoria de imprensa da Ferroban garante que a empresa devolveu adequadamente todo o material não operacional que recebeu. Informou ainda que fez tudo dentro dos prazos previstos e que não tem mais nenhuma responsabilidade sobre os trens do Parque Triagem em Bauru.

Quanto à possibilidade de ter que pagar à RFFSA pelas peças que tenham desaparecido, a assessoria da Ferroban diz que isso não será feito porque o período de um ano já venceu. Segundo a empresa, as últimas devoluções ocorreram em 2001.

Antigüidade

O trabalho dos engenheiros, que começou há 15 dias, deve terminar hoje. O relatório final será entregue no Rio de Janeiro, que o encaminhará para o escritório de São Paulo, responsável pelo leilão.

Júlio César Duarte diz que é preciso cuidado na hora de fazer a vistoria. “No meio do material ainda há equipamentos que pertencem à Ferroban. Estamos tendo a preocupação de não incluí-los no levantamento”, diz.

Ele conta que ficou impressionado com as locomotivas que encontrou. “As que eles (Ferroban) utilizam funcionam todas a diesel e essas, que são elétricas, não interessam mais. Há máquinas de 1949, que pesam 174 toneladas e não existem mais no mercado”, relata.

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