Moscou - O presidente russo Vladimir Putin pediu ontem que o Parlamento da Rússia deixe de lado as diferenças entre Moscou e os Estados Unidos quanto ao Iraque e que ratifique um tratado histórico de redução dos arsenais nucleares. Putin, em visita à sede das Forças Espaciais russas, perto de Moscou, reconheceu que a sua oposição à campanha liderada pelos Estados Unidos no Iraque criou dificuldades com Washington. Mas instou o Parlamento a levar a ratificação adiante mesmo assim.
“Nossa posição e a dos EUA não coincidem quanto ao problema do Iraque, temos abordagens diferentes e isso, evidentemente, cria um cenário bastante desfavorável para que prossigamos com o trabalho de ratificação desse acordo”, disse Putin aos jornalistas.
“Mas é do interesse da Federação Russa ver esse documento ratificado. Trabalharemos com os membros de nossa Assembléia Federal (as duas câmaras do Parlamento) e torceremos pela ratificação.”
Putin denunciou a campanha do Iraque como um erro, exigiu o fim das hostilidades e pediu que a questão do desarmamento iraquiano seja reconduzida às Nações Unidas. Mas suas críticas se atenuaram com a aproximação das forças norte-americanas e britânicas de Bagdá. Putin e o presidente dos EUA, George W. Bush, que vinham desenvolvendo uma amizade baseada no apoio russo à campanha antiterrorista de Washington, assinaram o Tratado de Moscou no ano passado.
O tratado determinava que o arsenal de armas nucleares de longo alcance de cada lado seria reduzido a algo entre 1,7 mil e 2,2 mil ogivas, ante as mais de 6 mil atuais. As ogivas excedentes seriam removidas dos arsenais, mas não necessariamente destruídas.
O Senado dos EUA ratificou o tratado no mês passado, dias antes do lançamento da campanha militar contra o Iraque. Mas membros da câmara baixa da Duma, oponentes declarados da guerra no Iraque, adiaram a votação sobre a ratificação na Rússia.
O ministro do Exterior, Igor Ivanov, em geral mais vigoroso que Putin em suas críticas à política externa dos EUA, declarou na semana passada que o momento não era favorável para obter a aprovação do Parlamento.