Economia & Negócios

Tarifa de água mais cara não consolida a reforma da ETA

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Desde o dia 1 deste mês, está em vigor o reajuste integral da tarifa de água em Bauru. Apesar de o início da reforma da Estação de Tratamento de Água (ETA) ter sido um dos motivos alegados para o aumento de receita, a obra não vai ficar pronta até o final do governo Nilson Costa (PPS), de acordo com o cronograma de investimentos do Departamento de Água e Esgoto (DAE).

Segundo a assessoria de imprensa da autarquia, o custo para a reforma completa da ETA é de R$ 7 milhões, em cálculos do ano passado. Para este ano estão previstos investimentos de R$ 2,25 milhões na estação, a partir do segundo semestre. Em 2004, mais R$ 2 milhões serão destinados à obra. Pelo menos até o final do ano que vem, quando termina o mandato de Nilson Costa, ainda faltará cerca de um terço dos investimentos para a conclusão da reforma.

O reajuste na tarifa, anunciado no final de dezembro, foi aplicado em duas etapas. A primeira, em vigor desde janeiro, elevou a tarifa em 30% para consumidores residenciais e 15% para as demais categorias. A segunda parcela do aumento, em vigor há dez dias, completa a majoração: mais 15% para residenciais e mais 10% para demais consumidores.

Com a nova tarifa, o orçamento do DAE em 2003 está previsto para R$ 33 milhões, contra R$ 26 milhões no ano passado. O orçamento, no entanto, poderá ser menor devido à inadimplência. Em 2002, a arrecadação foi de R$ 24 milhões.

A assessora de imprensa do DAE, Sandra Faria, afirma que a previsão de investimentos da autarquia para este ano é de R$ 6 milhões, divididos entre a fatia para a reforma da ETA e a construção de poços e reservatórios novos. No ano passado, segundo Sandra, não foi investido “nada” em novas obras.

Além da expectativa de boa arrecadação, o DAE conta com o imponderável para manter sua saúde financeira ao longo do ano e ainda conseguir investir no prometido início da reforma da ETA. De acordo com Sandra, a autarquia aguarda recursos da União ou do governo do Estado, através de projetos de financiamento e de “forças políticas”.

“Estamos trabalhando com a expectativa de que vamos conseguir recursos de fora”, diz a assessora. Por ora, entretanto, o DAE ainda não recebeu sequer um aceno positivo de que possa receber recursos externos.

Além do início das reformas na estação de tratamento e de novas obras, o DAE alega que grande parte de seus produtos básicos - como tubos de PVC e produtos químicos para o tratamento de água - sofreu reajustes em função da alta do dólar e dos aumentos de energia elétrica e combustível no decorrer de 2002. Com isso, o aumento tarifário iniciado em janeiro já estaria defasado.

30 anos

A Estação de Tratamento de Água de Bauru tem cerca de 30 anos e precisa, além de reformas estéticas, renovação da tecnologia empregada. De acordo com a assessoria do DAE, a intenção é equipar a ETA com um sistema de tratamento que evita a perda de água durante o processo. Atualmente, segundo a assessora Sandra, a estação “perde muita água”.

Para o segundo semestre deste ano, a previsão é de efetuar pequenos reparos e pintura na ETA. Até o final do projeto, com a troca de equipamentos, a intenção do DAE é otimizar a captação e reservação da estação, que abastece 41% da cidade.

Ainda para 2003, a autarquia pretende consolidar a desapropriação da área na Vargem Limpa onde será construída a Estação de Tratamento de Esgoto, considerado o “calcanhar de Aquiles” do DAE. Este primeiro passo custará R$ 300 mil.

Tanto o presidente do DAE, Luiz Augusto de Oliveira Castro, quanto o diretor financeiro da autarquia, Fábio Pegoraro, não foram localizados pela reportagem.

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