Economia & Negócios

Previdência requer mudança total, diz Nassif

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

“A Previdência Social não pode, de forma alguma, permanecer em seu atual molde. Estão tentando dar uma sobrevida a um modelo que se baseia numa idade em torno de 65 anos, que é a classificada para entrar na faixa da aposentadoria. Mas estudos mostram que, daqui 20 anos, a expectativa de vida pode passar para 110 anos. O governo precisará criar alternativas para mudar tudo daqui em diante.”

A análise é do jornalista Luís Nassif, que esteve em Bauru na última sexta-feira ministrando palestra durante o evento “Saiba como a reforma da Previdência mexe com sua vida”, realizado no Obeid Plaza Hotel.

Na opinião dele, o governo federal será obrigado a fazer um “corte” no sistema que rege a Previdência Social para se adequar a uma nova realidade.

“Será necessário criar maneiras de garantir os rendimentos de quem já está aposentado e, o restante, terá uma Previdência básica para garantir o passado e buscará formas alternativas para complementar a renda. E não tenho dúvidas de que essa alternativa é o sistema de capitalização”, ressalta Nassif.

Para afirmar isso ele alega que a Previdência Privada oferece uma série de opções, na forma de planos diferenciados, que possibilitam a garantia de um futuro financeiro tranqüilo de acordo com o perfil e os interesses de cada pessoa.

“Na área privada existem opções como aposentadoria com pecúlio, com seguro de vida etc. As empresas estão, cada vez mais, percebendo que já não basta mais oferecer a tradicional aposentadoria para ‘prender’ o funcionário”, opina.

Segundo Nassif, durante muitos anos a Previdência Social foi utilizada pelas empresas como uma forma de manter seu quadro de pessoal, já que o emprego com carteira assinada garante o rendimento “básico” para a aposentadoria.

Nassif também destaca que, diante de um cenário de estabilidade econômica, torna-se ainda mais importante pensar e planejar, cada vez mais cedo, o futuro da família.

“Aquela idéia que os nossos pais tinham em relação à Previdência, de que era apenas para garantir a aposentadoria, não existe mais. Hoje, um número crescente de pessoas vão à busca de planos previdenciários alternativos pensando em garantir a faculdade dos filhos, por exemplo”, observa o jornalista, especializado na área econômica.

Teto

Além da necessidade de se estabelecer uma idade mínima (limite) maior - em função do aumento da expectativa de vida da população -, Nassif também sugere que seja estabelecido um teto. Isso evitaria discrepâncias absurdas de valores.

“Uma parte do funcionalismo público, por exemplo, tem aposentadoria muito alta, ao contrário da maioria. Na última vez que se discutiu a reforma da Previdência, no governo de Fernando Henrique Cardoso, muito foi dito sobre os chamados marajás. Os valores recebidos por essas pessoas não têm um peso absoluto muito grande, mas têm enorme peso simbólico. Receber salário de R$ 17 mil é um tremendo abuso”, destaca Nassif.

Ele também critica o caso da aposentadoria com pecúlio (o total das economias acumuladas para uso em período posterior) citando os militares. Segundo ele, a filha de um militar tem direito à aposentadoria integral quando ele morre.

“Isso é um despropósito. A situação se agrava ainda mais quando se analisa que, pelo fato de ser militar, 50% as despesas dessas pessoas desaparece. Em nenhum lugar do mundo se dá aposentadoria integral”, critica o jornalista.

Pelo fato de o custo operacional de quem trabalha ser muito maior do que o custo de quem está aposentado, existe uma regra geral que afirmaria o seguinte: a aposentadoria deve significar cerca de 70% do salário que o cidadão recebia para conseguir manter o mesmo padrão de vida.

Mais uma vez, Nassif não resiste em citar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para exemplificar opiniões.

“O Fernando Henrique está aposentado com 70 anos de idade. Há 20 anos ele seria considerado um absoluto idoso. Mas hoje, com 80 anos as pessoas têm muito mais saúde do que antigamente. Então, não há motivo para se manter a possibilidade de as pessoas se aposentarem com 47, 48, 50 anos. Isso é absurdo para o País e para as próprias pessoas, que com isso perdem o ímpeto e acabam envelhecendo muito mais rápido”, opina.

Mas para Nassif, o governo precisará se esforçar muito para conseguir resolver o “problema da Previdência pública”, pelo fato do atual modelo estar baseado numa expectativa de vida que já foi ultrapassada.

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Futuro

Durante o evento realizado na última sexta-feira em Bauru, com o tema “Saiba como a reforma da Previdência mexe com sua vida”, a técnica de vôlei Isabel Salgado - ex-jogadora da Seleção Brasileira de Voleibol Feminino -, deu um depoimento sobre “a importância do investimento em planos privados de Previdência para um futuro tranqüilo”.

Mãe de duas meninas, uma de 15 e outra de 19 anos de idade, Isabel disse que sua preocupação com o futuro da família a levou a procurar por uma renda complementar na no sistema de Previdência Privada.

“Percebo que, entre os atletas, essa consciência vem aumentando ou surgindo mais cedo. Pela nossa profissão, estamos o tempo todo sujeitos a ter uma lesão grave que acabe nos tirando da atividade. Por isso e por outros motivos, considero muito importante as pessoas voltarem os olhos para isso enquanto ainda são novas”, diz Isabel.

O presidente-executivo de uma grande companhia seguradora que também participou do evento, Marcos Falcão, afirma que tem aumentado o número de pessoas com idade a partir de 30 anos procurando por planos privados de Previdência.

“Para manter seu padrão e qualidade de vida no futuro, as pessoas não estão mais se contentando em ficar somente com a renda da Previdência Social. Essa consciência está se formando cada vez mais cedo”, afirma Falcão.

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