“Seja qual for o tipo de cirurgia, nós precisamos conhecer o paciente como um todo. Só uma avaliação global feita pelo médico, psicólogo e nutricionista irá definir qual o melhor procedimento. A intervenção é severa porque mesmo nas cirurgias mais drásticas, muitas vezes nós não conseguimos trazer o paciente ao peso ideal”, afirma o médico Wagner Schwerdtfeger, especialista em cirurgia gástrica.
Já que se opta pela cirurgia, se faz o máximo para obter o peso ideal. Ele explica que quando o paciente precisa de um tratamento cirúrgico é necessário fazer com que ele chegue mais próximo de um índice normal de massa corpórea. Em alguns casos, apenas uma intervenção não é suficiente para fazer com que o obeso chegue ao peso ideal.
Na opinião de Schwerdtfeger, o porquê do procedimento ser tão drástico é dado pela inexistência de um tratamento realmente eficaz para a obesidade mórbida. “Os tratamentos usuais como dietas e spas só funcionam para quem ainda não atingiu um índice tão alto.”
Neste sentido, a pessoa extremamente obesa já mudou seu metabolismo de tal forma, que não consegue se manter fazendo exercícios e comendo regradamente para sempre.
A banda gástrica, por exemplo, não é recomendada aos chocólatras e viciados em doce. Afinal, sorvetes, refrigerantes e a combinação bombástica de creme de leite e leite condensado passam muito fácil por ela. Então, mesmo que em pouca quantidade, o paciente vai continuar ingerindo inúmeras calorias e não vai perder peso.
O dispositivo redutor pode ficar no organismo de 15 a 20 anos e vai reeducar os hábitos do paciente, mas Schwedrtfeger conta que alguns enganam a si próprios. “Ao operar, você vai ter que mudar os seus hábitos e se reprogramar”, adverte.
As pessoas emagrecem de 30% a 50% do peso total na data da intervenção, num período médio de dois anos, quando o organismo se adapta ao novo modo de vida do paciente.
O médico admite que as cirurgias são restritivas.
(Capella limita a capacidade do estômago a 20 ml (1%) e Scopinaro restringe o tamanho do órgão entre 200 e 500 ml (10% a 25%)). Mas a perda de 10% do peso total já nos primeiros dias é um grande estímulo.
“A grande vantagem da cirurgia é que você pára de engordar, vai emagrecer e não vai recuperar o peso perdido.”
Alívio
Os primeiros seis meses são cruciais. É neste intervalo que ocorrem as principais modificações por causa da restrição, da mudança de hábito. Normalmente, os obesos são ansiosos e, em muitos casos, ansiosos deprimidos que precisam de acompanhamento psicológico semanal.
Mas na maioria dos casos, a pessoa ganha auto-estima, muda totalmente a cabeça ao se olhar no espelho e não se reconhecer, perde o padrão de personalidade.
“Hoje, todos os obesos mórbidos buscam na cirurgia o alívio independente do sexo ou da idade.” O médico aponta que já realizou em Bauru 30 cirurgias com pacientes de 13 a 69 anos. Em 60% dos casos são as mulheres que buscam o consultório, contra 40% dos homens.
Segundo o cirurgião, os homens são mais medrosos, as mulheres são mais decididas. “Quando elas chegam já passaram por todas as dietas: a do chá, a da lua, a da segunda-feira, já passaram por spa, vigilantes do peso e não conseguiram sucesso.”
Prova disso é que, no geral, as pessoas vão para a mesa de cirurgia sempre mais gordas do que na primeira consulta, quando o ideal seria ter uma redução de 10% a 15% do peso total.
Entretanto, a ansiedade e o medo fazem com que a pessoa acabe adquirindo alguns quilos naturalmente. Os outros, são conseqüência das “despedidas”, onde aproveita-se o pouco tempo que resta com o estômago com a capacidade total para comer tudo o que daqui para frente, pelo menos por algum tempo, será proibido.
Na cirurgia de capella, principalmente com o anel gástrico que dificulta a entrada dos alimentos, as pessoas têm dificuldade em comer arroz, carne e pão. Já na Scopinaro as pessoas podem comer melhor.
Entretanto, um preparo prévio de no mínimo 15 dias é necessário para que se tenha um pós-operatório mais tranqüilo.
“Quando as pessoas vêm até o consultório para marcar a data, já estão decididas. Mas a maior parte dos pacientes vem com medo, medo das complicações, medo de morrer... Mas hoje os riscos são mínimos e o número de mortes no mundo caiu para 3%”.
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Na medida
O índice de massa corpórea (IMC) é obtido através de uma conta simples, onde se divide o peso da pessoa pela sua altura ao quadrado. O resultado é o IMC.
Até 25 o peso é normal De 26 a 30 é sobrepeso De 30 a 35 obeso leve De 36 a 40 moderado Acima de 40 grave, severo
Obs. Dentro da obesidade mórbida, os pacientes acima de 50 são considerados superobesos