De acordo com a especialista em toxicologia Efigênia Queiroz de Santana, nada deve ser feito enquanto não se descobre qual é o produto causador da intoxicação. Este cuidado é fundamental para a segurança da pessoa atendida. Muitas vezes, até a água limpa pode agir como veneno.
“Veneno é toda e qualquer substância que, ao ser introduzida no organismo, produz dano ou morte ao indivíduo. Quem tem insuficiência renal crônica pode se intoxicar com água potável. No afogamento, a água também é o veneno”, observa.
Segundo Efigênia, se a causa da intoxicação é um ácido (sulfúrico, clorídrico, pastas de limpeza de pisos), uma base (soda cáustica, hidróxidos) ou produtos voláteis (querosene, gasolina, bebidas ou fórmulas alcoólicas) não se deve provocar o vômito em hipótese alguma.
Ela explica que os ácidos e bases fortes corróem todo o trato digestivo por onde passam. Se a pessoa vomita, o mesmo produto passa de volta pelo estômago, esôfago, boca - perfurando-os pela segunda vez.
“O mesmo vale para os produtos voláteis (que evaporam: combustíveis, bebidas e fórmulas alcoólicas). A pessoa pode inalar essas substâncias durante o vômito. Ao invés de uma via de intoxicação (aparelho digestivo), serão duas (aparelho respiratório)”, destaca.
Outra advertência que Efigênia faz é que pessoas intoxicadas por pesticidas não devem tomar leite. “O leite é uma substância gordurosa e esses venenos são solúveis em gordura, ou seja, se a pessoa toma leite, o organismo absorve o veneno mais rápido”, explica.
Mesmo em casos aparentemente simples, como quando a intoxicação ocorre por excesso de bebidas alcoólicas, é preciso cuidado. Colocar uma pessoa embriagada debaixo do chuveiro pode ser fatal. O álcool queima calorias e enfraquece. Ao ser submetido ao choque térmico do banho, o organismo pode sofrer uma “pane”.
Em contrapartida, há casos em que atitudes simples podem salvar uma vida. É o que acontece quando a intoxicação é causada por metais (chumbo, mercúrio, arsênio e outros). “Tem gente que acha bonito, quando quebra um termômetro, ver o mercúrio sumir. O que elas não sabem é que o metal está sendo inalado ou absorvido pelo organismo e isso é altamente tóxico”, exemplifica.
Em situações como esta, se a vítima for um adulto e estiver consciente, basta fazer com que ela beba uma mistura de um litro de água com quatro claras de ovo. Ou então, água com gelatina. Se for uma criança pequena, ela deve engolir uma clara de ovo pura.
“Essas misturas formam água albuminosa, que atrai as partículas de metal impedindo a absorção pelo organismo. Aí, é só levar a pessoa ao hospital. Ela vai tomar um laxante para eliminar tudo isso. Mas é indispensável procurar um especialista para fazer exames de dosagem do metal no sangue. Algumas vezes é preciso fazer um tratamento mais longo de desintoxicação”, ressalta.
Considerando tudo isso, Efigênia defende que, em casos de intoxicação, deve-se seguir algumas regras para que os primeiros socorros sejam realmente eficazes. A primeira providência é remover a vítima para um lugar seguro, onde não haja risco de contaminação para quem vai prestar o socorro.
Depois, deve-se verificar os batimentos cardíacos da pessoa. Se não houver, o socorrista tem apenas três a cinco minutos (a partir da parada) para tentar a reanimação cardiorrespiratória.
Vencidas estas etapas prioritárias, deve-se tentar descobrir qual foi a substância usada e, se possível, a embalagem do produto. Todo rótulo apresenta orientações de como proceder em caso de acidentes.