Guerra no Iraque 2003

Americanos estragam festa de Saddam

Agência Folha
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Tikrit - Não foi suficiente bombardear seus palácios, derrubar estátuas e tirá-lo do poder. Tropas norte-americanas também estragaram a comemoração do aniversário do ex-presidente Saddam Hussein, cujo paradeiro segue desconhecido.

Ontem ele completou - ou completaria - 66 anos. Para lembrar a data, dezenas de moradores de Tikrit saíram às ruas na cidade natal de Saddam, 180 quilômetros ao Norte de Bagdá, carregando um bolo e uma pintura do aniversariante.

Meninas com vestidos vermelhos carregavam retratos do ex-presidente enquanto cantavam: “Sacrificaremos nossas almas e nosso sangue por Saddam”.

As pequenas festas de rua para Saddam, no entanto, tiveram curta duração - foram interrompidas por veículos de combate Bradley e patrulhas de soldados com rifles M-16. “Voltem para suas casas. O que vocês estão fazendo é proibido”, alertavam mensagens em árabe transmitidas por alto-falantes. “Ou usaremos a força.”

“Nós apenas queremos celebrar pacificamente”, disse o professor de ensino fundamental Sabahan Harez, 50 anos. “Onde está a liberdade de expressão que os americanos tanto se gabam?” “Estamos mais vigilantes devido ao aniversário de Saddam”, admitiu o sargento Jesse Barr.

Com cerca de 100 mil habitantes, Tikrit foi a última cidade importante a cair, o que aconteceu no último dia 14, cinco dias após a tomada de Bagdá. As incertezas sobre o que aconteceu com Saddam, no entanto, continuam. Ontem, o ex-vice-primeiro-ministro Tariq Aziz, que se rendeu na semana passada, teria dito que Saddam estava vivo pelo menos até o dia 7 de abril. O comandante das forças de coalizão no Iraque, Tommy Franks, disse que Aziz tem se mostrado cooperativo.

Redução de tropas

O governo dos EUA planeja reduzir sua presença militar na região do golfo Pérsico no futuro próximo, de acordo com uma afirmação feita ontem pelo secretário da Defesa do país, Donald Rumsfeld. Ademais, o general Tommy Franks, comandante das forças dos EUA na região, decidiu retirar um centro de operações aéreas da Arábia Saudita, segundo funcionários do governo americano.

Desde o final da Guerra do Golfo, em 1991, autoridades sauditas têm evitado falar muito da presença militar americana em seu país, chegando ao ponto de tentar impedir a veiculação da notícia de que Washington comandou sua guerra aérea ao Iraque, de Saddam Hussein, de um centro de operações situado numa base dos EUA em seu território.

Rumsfeld realiza uma série de visitas a países da região, nesta semana, para discutir com os aliados dos EUA os efeitos da decisão de reduzir a presença militar americana no Golfo. Somente após essas consultas, segundo funcionários do Departamento da Defesa, a decisão final será tomada. Ele se encontrou ontem com o líder político do Catar, o xeque Hamad bin Khalifa al Thani, que permitiu que o centro de comando das forças dos EUA na região fosse erigido perto da capital do país, Doha.

“O Iraque era uma ameaça à região. Como essa ameaça desaparecerá, também poderemos reorganizar nossas forças”, declarou Rumsfeld após uma reunião com Al Thani e com o ministro da Defesa da Austrália, Robert Hill. A presença de milhares de soldados americanos na Arábia Saudita, país em que se encontram os dois lugares mais sagrados para os muçulmanos - Meca e Medina -, tem provocado a ira de muçulmanos extremistas.

Trata-se de um dos fatores que motivam o ódio de Ossama Bin Laden, líder da rede terrorista Al-Qaeda, aos EUA. A Al-Qaeda realizou os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, segundo um vídeo de Bin Laden apresentado pelo Pentágono.

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