A Casa de Nazaré, instituição que cuida de 14 meninas entre 12 e 18 anos, vítimas de agressão e maus-tratos, deve ganhar um reforço “de peso” no próximo semestre. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) disponibilizou 12 vagas em seus cursos profissionalizantes para adolescentes da entidade bauruense.
De acordo com o presidente da Casa de Nazaré, Pedro Sérgio Baptista, os cursos serão uma oportunidade fundamental para a formação profissional das jovens. “Sempre foi um grande sonho nosso mandá-las para um curso profissionalizante do peso do Senai”, diz.
A assistente social da entidade, Cássia Aparecida Tosim Paley, afirma que as meninas já apontaram preferência pelos cursos de mecânica e, principalmente, informática. “Hoje em dia, para qualquer profissão é necessário saber o básico de informática. Com o Senai, elas poderão seguir uma carreira”, afirma.
Segundo a assistente social, as adolescentes abrigadas na Casa de Nazaré já estudam e trabalham, em estágios em supermercados e na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas pelo fato de estarem tuteladas pela entidade, a qualificação profissional pode abrir portas para a construção de uma vida independente dos pais.
“Se até os 18 anos a adolescente não foi inserida novamente na família, é porque a família não tem condições de recebê-la. A menina vai precisar caminhar com as próprias pernas”, declara Cássia.
A Casa de Nazaré é um dos dois abrigos de meninas de Bauru e tem capacidade para abrigar 20 jovens. Lá, elas recebem acompanhamento, comida e educação - 80% dos custos são pagos por doações. De acordo com Baptista, tudo é feito para que elas sejam educadas como se estivessem “em casa” - o que inclui horário para chegar à noite e a devida apresentação à assistente social de eventuais namorados.
Ao completar 18 anos, as meninas são desligadas da casa. Muitas delas não voltam ao lar, de onde saíram por ordem judicial. “A metade da população da casa é fixa, ou seja, não tem pai nem mãe. A outra metade é oscilante: a menina que apanha do pai ou do padrasto, vem para cá, a gente faz um trabalho com nossa assistente social e nossa psicóloga junto à família e essa adolescente normalmente retorna à família”, conta Baptista.
Planos
Para as meninas, o curso do Senai aparece como uma oportunidade concreta para realizar alguns ideais. Algumas delas já fazem estágio como empacotadora ou “office-boy”, mas pretendem subir a postos maiores nas empresas.
Uma das adolescentes, de 17 anos, há quatro anos e meio na casa, conta que pretende ser jornalista. “Quero fazer uma faculdade quando sair daqui”, diz. Ela relata que saiu de casa porque sofria maus-tratos, e afirma se sentir melhor na companhia das colegas. “A gente às vezes briga, discute, mas estamos sempre unidas. É melhor do que estar na minha casa”, declara.
Outra jovem, de 16 anos, há três meses na Casa de Nazaré, afirma que se acostumou “bem rápido” e mantém contato com a família. Ela faz estágio na OAB, mas não pretende ser advogada. “Gostaria de fazer jornalismo, acho muito interessante. Direito é muito complicado”, opina.
A expectativa ainda toma conta de outra menina de 16 anos, que começa a trabalhar como empacotadora em um supermercado ainda este mês. “Queriam que eu já entrasse lá como gerente?”, brinca. Na Casa de Nazaré ela tem também a companhia de sua irmã, de 14 anos, há mais de dois anos na entidade.
A Casa de Nazaré, da Fundação Ignácio de Loyola, precisa de doações para manter as meninas - que têm um custo individual mensal de cerca de R$ 500,00. Outras informações pelo telefone (14) 238-7414.