Você gasta “rios” de dinheiro para adquirir um tocador de CD de última geração pensando que desta forma o som do seu veículo será o máximo? Se a resposta for positiva, então prepare-se para mudar seus conceitos a respeito. Isso porque os segredos de uma sonorização automotiva “perfeita” vão muito além apenas da compra de um CD player moderno.
Os pontos básicos para a conquista de uma excelente reprodução sonora em carros envolvem vários aspectos, mas o consumidor deve levar em consideração a qualidade dos componentes e, principalmente, para quais finalidades irá utilizar o som desejado. “Em uma instalação, um fator depende do outro”, considera o técnico Gilson Cury Misquiatti.
Segundo Gilson, de nada adianta investir recursos para adquirir um excelente aparelho de CD se o alto-falante for de má qualidade ou mal instalado. Por isso, ele recomenda aos interessados procurar sempre por marcas conhecidas e estabelecidas no mercado e atentar para a procedência dos produtos.
Já Adriano Peres Sebastião, outro a trabalhar na atividade há anos, destaca que a principal preocupação de um instalador deve ser com a impedância (resistência) dos aparelhos. “Ela deve ser respeitada a qualquer custo. Por isso, antes de comprar o consumidor deve observar nas marcações dos próprios componentes se são compatíveis um ao outro”, explica.
Entretanto, Adriano ressalta ser difícil, apenas no ouvido, descobrir se a impedância está sendo desrespeitada. Uma pista de que isso está ocorrendo é o aparelho esquentar além do normal.
Considerados pelos apreciadores de som como verdadeiras “pragas” auditivas, os famigerados chiados nem sempre são indícios de que a instalação foi mal executada. Eles podem ser ocasionados por defeitos no aparelho de CD ou pela própria limitação dos recursos do sistema de som.
Agora, o motorista deve desconfiar se o som de seu veículo não estiver reproduzindo os graves, como as tradicionais batidas. “Isso é sinal de que um dos canais pode estar invertido. Para descobrir, é só jogar o balanço para um dos lados. Se os graves começarem a ser tocados normalmente, então é porque há algo errado”, ensina Adriano.
Necessidades
Ao falar sobre qual seria uma configuração sonora perfeita, Gilson sustenta que várias poderiam ser feitas. Entretanto, conforme o instalador, todas dependeriam das necessidades de cada proprietário de automóvel em relação ao som.
Se a intenção for ouví-lo, sem exageros, apenas no interior do veículo, Gilson enfatiza que a opção deve ser a instalação básica, atualmente a predileta da maioria dos seus clientes. Ela é a mais acessível e origina um bom som, mas tem limitações. Em uma certa altura, pode gerar chiados.
Mas se o objetivo de quem quer instalar o som for ser ouvido a longas distâncias, então a escolha deve recair pela intermediária. “Esta já é para quem gosta de fazer um showzinho particular”, brinca ele. “É uma instalação típica para quem pretende abrir o tampão do carro na hora de conversar com os amigos”, completa Gilson.
Há, ainda, uma configuração para os que já possuem instalados em seu veículo um kit original de som. “Nesse caso, com menos dinheiro ainda é possível melhorar a sonorização”, considera ele.
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Galera do barulho
Fanáticos por som. Talvez essa seja a melhor definição para os jovens bauruenses Henderson Roberto Frattini, 19 anos, e Alexandre Rodrigo Pizarro, 25 anos. Admiradores confessos da “barulheira” em altos decibéis, ambos também têm em comum nos seus veículos uma potente aparelhagem sonora.
Alexandre calcula ter investido cerca de R$ 3mil para equipar seu Corsa com dois módulos de potência, três cornetas, dois alto-falantes de 12 polegadas, um tweeter profissional e um CD com equalizador gráfico.
Apesar de admitir que gosta de um som “ignorante” em relação à altura, ele apressa-se em dizer que já passou da fase de parar na rua com os amigos e abrir o tampão do porta-malas. “Atualmente, busco muito mais a qualidade do som e sempre procuro aperfeiçoá-lo com novos produtos. Meu objetivo é atingir a perfeição sonora”, ressalta Alexandre.
No entanto, ele afirma não ser radical. “Dependendo da ocasião, como em um churrasco com a turma, aí sim abro o tampão”, revela. Além disso, o jovem garante que não gastaria tanto novamente para equipar seu auto. “Como fiz o som aos poucos, acabou não pesando. Mas hoje não sei se teria coragem de investir novamente”, argumenta.
Já Henderson, mesmo sendo proprietário de um equipamento de fazer inveja, não vê a hora de trocar a “somzeira” presente no seu Corsa. No carro estão instalados um subwoofer de 650 RMS - equivalente a 2300 watts de potência -, um módulo de 600 RMS, alto-falantes 69 e cornetas. “Ainda não estou satisfeito. Quero colocar mais alto-falantes e um módulo ainda melhor. Enquanto puder, quero gastar”, afirma.
O barulho proporcionado pelo seu som é tão intenso que Henderson garante ser comum disparar o alarme de carros nas ruas devido à intensidade das vibrações. “Gosto que as pessoas me ouçam de longe. Para mim, isso é prazeroso”, diz ele, sem cerimônia. “Sempre quis ter um som igual a este. Agora que possuo, gosto de ficar na Getúlio Vargas com os amigos”, acrescenta.