Cultura

Corpo do poeta Waly Salomão é cremado

Por Da Redação | Com agências Estado e Folha
| Tempo de leitura: 2 min

Amigos e familiares do poeta Waly Salomão leram alguns de seus poemas durante o velório que antecedeu à cremação, no Crematório do Caju, na zona portuária do Rio, ontem de manhã. O lugar onde as cinzas serão depositadas será escolhido pela viúva, Marta, com quem Waly era casado havia 28 anos.

Para se despedir de Waly, que morreu anteontem, de câncer, Marta, os filhos, Omar, de 20 anos, e Khalid, de 24, o irmão Jorge Salomão e amigos, como o poeta Antônio Cícero, escolheram poesias que falavam de vida e morte.

Os cantores Adriana Calcanhotto e Luiz Melodia acompanharam a cerimônia e lembraram a convivência com Waly. “Ele era uma pessoa de muita vitalidade e riqueza humana. Era irresistível. Meu terceiro disco se chama ‘Fábrica do Poema’, porque é um poema dele. Waly está indo muito cedo. Ele não estava com vontade de morrer, estava muito empolgado de trabalhar com Gil no Ministério da Cultura”, disse Adriana.

Melodia vai incluir a música de Waly “Mal Secreto”, composta em parceria com Jards Macalé, em seu próximo disco. “Waly sempre quis que eu gravasse essa música. Ela já está gravada e agora vou colocá-la num disco. Waly foi a pessoa que me levou à música, me apresentou a Gal Costa, que gravou ‘Pérola Negra’.”

A cantora baiana esteve no velório do poeta. “Era um amigo presente e que sempre dava força. Lembro-me de suas piadas e de seu humor. Sua morte foi uma surpresa, a pior possível”, disse Gal.

Também participaram do velório o cantor e compositor Caetano Veloso, os escritores Zuenir Ventura e Ricardo Cravo Albin e o poeta e letrista Geraldo Carneiro, entre outros.

Crianças do Grupo Cultural Afroreggae, da favela Vigário Geral, foram ao velório em reconhecimento ao apoio que o poeta deu ao programa.

Primeira homenagem

A Secretaria de Cultura da cidade de Ribeirão Preto, a 310 quilômetros de São Paulo, anunciou ontem que vai homenagear Salomão dando o seu nome a uma das bibliotecas do município. A biblioteca será aberta na próxima semana, nos Campos Elíseos, o bairro mais populoso da cidade.

Em 20 de fevereiro deste ano, Salomão, como secretário nacional do livro e da leitura, visitou o município paulista e conheceu vários projetos do programa Ribeirão das Letras, que inclui 40 bibliotecas inauguradas desde 2001, um biblioteca circulante, prêmios e oficinas literárias. A intenção de Salomão era usar esse exemplo e reproduzi-lo nacionalmente.

Segundo o secretário de Cultura de Ribeirão Preto, Galeno Amorim, Waly Salomão “era um grande poeta e daria uma contribuição importante para o livro no Brasil, é uma grande perda para o País”.

A unidade que levará o nome do poeta, instalada numa Base de Apoio Comunitária (BAC), será montada pela Fábrica das Bibliotecas e terá cerca de 4 mil livros, computadores com acesso à Internet, assinaturas de jornais e revistas e área de convivência comunitária.

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