Política

Rosa critica ex-aliados e políticos

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 7 min

A mulher do ex-prefeito Antonio Izzo Filho, Rosa Izzo, considera que as atuais denúncias contra o Executivo e o Legislativo são muito mais graves em relação àquelas atribuídas a seu marido, em 1998, que culminaram com a cassação de seu mandato e na sua prisão.

“Na época, ele (Izzo) ficou como o maior bandido. Os outros todos eram honestos. E agora se vê que não é por aí”, afirmou em entrevista concedida ontem ao Jornal da Cidade.

Ela fala de seu sofrimento e dos filhos com a ausência do marido e confirma que ele projeta retornar à vida pública. No espaço compreendido entre as visitas que recebeu durante o dia de ontem, Rosa respondeu as seguintes perguntas:

Jornal da Cidade - Como a senhora e os filhos receberam a notícia de liberdade condicional do ex-prefeito Izzo Filho? Rosa Izzo - Ontem (anteontem) nós estávamos lá com ele e fomos informados pelo delegado de que ele iria embora. A gente não acreditou. Ficamos espantados porque esperávamos a notícia para a semana que vem. Mas o delegado confirmou que ele iria embora mesmo. Ficamos extasiados, amortecidos. É coisa que esperávamos há muito tempo, merecida. Ficamos sem ação. Parecia que não era verdade. Estamos todos felizes.

JC - Como foi a rotina da senhora e dos filhos nesses últimos quatro anos, período em que seu marido ficou preso? Rosa - Eu ia todos os dias na cadeia. De manhã, para levar o café; à tarde para levar o almoço e ficar com ele. Todos os dias. Minha menina mais nova, como ela estuda de manhã, ia todas as tardes e nos finais de semana. O meu menino também ia de duas a três vezes por semana e a menina que estuda fora fazia o possível para vir. Às vezes, ela chegava muito tarde, no sábado, só para ver o pai e já no domingo ia embora.

JC - Como era a rotina do ex-prefeito na cadeia? Rosa - Antes de ter atividades internas, ele ficava assistindo televisão, lendo, escrevendo. A genta passava a maior parte do tempo com ele.

JC - Procede a informação de que o ex-prefeito, nesses quatro anos, teria redigido sua trajetória política com a intenção de publicar um livro? Rosa - Não, mas por enquanto. Os filhos querem que ele escreva realmente um livro. Mas o Izzo não comenta nada a respeito disso.

JC - Logicamente que nesse período o ex-prefeito acompanhou a política local. Ele faz comentários sobre esse assunto? Refere-se especificamente a algum político, como por exemplo, o prefeito Nilson Costa? Rosa - Não, nunca fez. O Izzo, apesar de tudo que falam dele, é uma pessoa que não guarda mágoa. O coração dele não é desse jeito.

JC - Os integrantes do ex-governo de seu marido, inclusive aqueles que eram de Barra Bonita, freqüentavam a cadeia? Rosa - Olha, todo mundo sumiu. Até mesmo o pessoal que não era da Barra Bonita, que era daqui mesmo de Bauru, sumiu.

JC - A senhora acha que o Izzo está magoado com esse pessoal que o abandonou? Rosa - Lógico. Está magoado porque o Izzo confiou neles e até os defendeu em algumas coisas. E no momento em que ele precisava apenas de uma mão de apoio - não precisava de mais nada - o pessoal sumiu.

JC - O nome da senhora já foi ventilado como prefeitável para 2004. Na nota emitida ontem à imprensa, o ex-prefeito faz elogios e fala de seu envolvimento com a comunidade. A senhora já é pré-candidata? Rosa - Olha, como eu disse, a gente não pode dizer vou ou não vou. Há muita procura. Muitas pessoas dizendo do apoio e do incentivo para entrar na disputa. Por enquanto, meu objetivo é recomeçar a nossa vida. Não estou filiada a nenhum partido.

JC - O ex-prefeito, na própria nota assinada por ele, afirma que não abandonou a vida pública. Ele vai mesmo retomar as atividades políticas? Rosa - Não está descartada. Não sei responder quando. A gente não conversou sobre isso, ainda. Para ele, a novidade é o retorno a casa. É preciso pensar que ele esteve fora quatro anos, que ele pensava no que deixou aqui fora. Não é fácil agüentar tudo isso. Como meu filho diz, é preciso deletar algumas coisas para poder viver e sobreviver. Quando ele entrou na casa, não se recordava mais dos locais dos interruptores de luz.

JC - Como a senhora avalia a saída do Izzo da cadeia justamente nesse momento político conturbado, tanto no Executivo quanto no Legislativo? Rosa - Eu acho que é uma questão divina. Eu sempre falava para ele que haveria o momento certo de sair de lá. Dizia a ele que Deus o tiraria da cadeia no momento certo e de cabeça erguida.

JC - Na sua avaliação, as denúncias de hoje contra o Executivo e o Legislativo são mais graves em relação àquelas atribuídas a seu marido? Rosa - As denúncias de hoje são mais graves. Na época, ele ficou como o maior bandido. Ele era o maior bandido de Bauru, era a vergonha de Bauru. Os outros todos eram honestos. E agora se vê que não é por aí.

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Izzo ensaia retorno à política

O ex-prefeito Antonio Izzo Filho (sem partido) não vai abandonar a política. Em liberdade condicional desde anteontem - depois de cumprir quatro anos de prisão -, ele afirma em nota distribuída à imprensa que “a luta por uma cidade melhor não terminou”.

“Ela foi apenas interrompida por um grande contratempo”, reforça. Izzo garante que quer continuar prestando sua “colaboração” para o município e que é certo que vai desenvolver “atividades futuras” nesse sentido.

As declarações provocaram furor nos bastidores políticos, principalmente porque sua mulher, Rosa Izzo, é um dos nomes cotados para a disputa das eleições municipais do ano que vem.

Mas o ex-prefeito deixa claro na nota que não descarta retornar ao mundo político. “O processo de cassação de mandato que sofri ainda está tramitando na Justiça em grau de recurso que com certeza vencerei. Isso quer dizer que estou em gozo de meus direitos políticos”, avisa, com convicção.

Além da questão política, Izzo faz citações sobre a situação que enfrentou quando ainda era prefeito, no cumprimento de seu segundo mandato. “Apesar de todos os percalços e sofrimento que me foram impostos ao longo desses últimos quatro anos, sou um homem que mantém a fé em Deus e a confiança na Justiça”, afirma.

A nota, redigida em boa parte na primeira pessoa, segue explicando que ele encontrará “as forças necessárias e os canais suficientes” para provar sua inocência e honestidade na administração pública, além da não participação em faltas graves que lhe procuraram atribuir.

“Ao final de tudo - tenho a certeza - ficará provado que todos os meus atos como político e prefeito desta cidade tiveram como único objetivo o bem-estar da população, principalmente dos moradores da periferia”, comenta.

Izzo diz que no momento ainda está emocionado com “o retorno à vida normal” e à família. “Faço questão de agradecer a todos aqueles que nos apoiaram, trazendo-nos o conforto e suas orações nos dias difíceis que passamos.”

A nota também destaca o empenho de sua mulher para enfrentar os transtornos dos últimos quatro anos. “Em particular, quero destacar a fibra e o companheirismo de minha esposa Rosa, que foi o grande esteio da família durante a minha ausência, e a meus filhos, que juntamente com ela, me deram as forças necessárias para enfrentar a provação”, relata.

Para o ex-prefeito, Rosa também “emprestou seu nome” para a causa pública. “Fez uma opção de trabalho em favor da periferia e da parcela mais humilde da população e não pode fraquejar, nem mesmo quando sente na carne (e até na alma) as conseqüências do caminho que começou a percorrer”, elogia.

Ele lembra que governou a cidade num primeiro mandato e em seguida voltou “nos braços do povo”. “Mas fui retirado da prefeitura da forma que todos conhecem, pois muitos sofreram comigo e com minha equipe todos os traumas daquele processo.”

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