A decisão do diretório nacional do PT de encaminhar para avaliação do conselho de ética o comportamento político-partidário dos deputados federais João Batista de Oliveira (PA), o Babá, Luciana Genro (RS) e da senadora Heloísa Helena (AL) divide opiniões no PT de Bauru.
Eles são acusados de ultrapassarem “o mero direito à opinião” e de tomar atitudes de “franca quebra de unidade de ação do partido e de oposição sistemática”. Os três têm se manifestado publicamente contra a reforma da previdência, principalmente em relação a taxação dos inativos.
Para a presidente da executiva municipal do PT, Estela Almagro - integrante da corrente majoritária da legenda, da qual faz parte o presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, a direção nacional do partido demorou a aplicar punições exemplares a parlamentares que se contrapõem a decisões do governo.
“Na minha opinião, o comando nacional deveria ter agido mais cedo e com rigor estatutário”, analisa. A exploração diária na mídia dos fatos, na avaliação de Estela, expõe e desgasta o partido sem necessidade.
“Esses parlamentares sempre se posicionaram na bancada da situação, mas nunca se preocuparam com o que pensa a maioria.”
O diretor do Sinergia, Jesus Garcia, também militante do PT local - aliado ao campo majoritário -, acrescenta que o partido tem a cultura histórica do debate e da reflexão. “Depois que os assuntos são deliberados, a obrigação de todos é seguir a decisão. Não existe essa coisa de votar com a consciência”, diz.
O sindicalista defende a posição de que é preciso mobilizar o governo para fazê-lo avançar. “Sou da opinião de que uma vez deliberado, as reformas devem ser aprovadas. Aqueles que não tiverem de acordo, devem deixar o partido”, afirma.
Apoio radical
Conhecido pela sua trajetória de conflitos internos, o PT de Bauru, no entanto, não é unanimidade em relação ao assunto. Há segmentos que apóiam os parlamentares radicais nos seus posicionamentos contra a reforma da previdência nos termos que se propõe.
“O diretório nacional está extremamente equivocado. O direito de expressão e manifestação são princípios consagrados no PT”, lembra o sindicalista Duílio Duka de Souza, que embora integre a corrente majoritária é contra as punições.
Para ele, Babá, Luciana e Heloísa Helena representam os sentimentos dos trabalhadores em relação à reforma da previdência. “Todos nós temos plena consciência de que, do jeito que está, não dá para aprovar essa reforma.”
O petista esclarece, porém, que não é contra as reformas propostas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Mas é impossível retirar direitos adquiridos pelos trabalhadores ao longo das última décadas. E o PT, que sempre defendeu o contrário, vai agora retirá-los?”, questiona.
Duka defende os parlamentares e afirma que faz “coro” com eles. “A revolta deles é a revolta do povo. O diretório nacional teve uma postura neoliberal. Essa decisão de impedir a manifestação dos deputados e da senadora é arbitrária; é típica do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do regime militar”, critica.
O posicionamento do petista é compartilhado pelo sindicalista Roque Ferreira, membro da corrente “O Trabalho”, abrigada à esquerda no campo interno do partido. “Faço parte da união contrária em relação a qualquer instrumento que possa vir a constranger parlamentares. Qualquer militante tem o direito irrecorrível de manifestação”, opina.
Ele defende a permanência de Babá, Heloísa Helena e Luciana Genro no PT. “Esses companheiros não praticaram nenhum ato de desobediência ao partido. Deve-se repudiar qualquer recurso de rito sumário.” Para Ferreira, sugestões de punição como essa coloca em risco a história da construção democrática do partido. “Esse não é o caminho.”
O vereador José Carlos Batata (PT) não foi localizado pela reportagem do Jornal da Cidade para se posicionar sobre o assunto.