Economia & Negócios

Proposta adia greve nas universidades

Da Redação
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A possibilidade de que as três universidades estaduais de São Paulo entrassem em greve a partir de hoje foi adiada, pelo menos por enquanto. O Fórum das Seis, entidade que congrega os sindicatos de docentes e funcionários da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recebeu uma proposta de reajuste de 14,45%.

A paralisação, no entanto, não está descartada. O Fórum das Seis havia aprovado anteriormente um indicativo de greve que seria utilizado se o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) não aceitasse dialogar, o que acabou não se confirmando na reunião de sexta-feira. Os dois órgãos voltam a se encontrar hoje, às 16h, em São Paulo, para uma segunda rodada de negociações.

O presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), Milton Vieira do Prado Júnior, afirma que a proposta do governo ainda está abaixo da esperada, que é de pelo menos 25%. “Ela é insuficiente. Além disso, defendemos uma mudança na política salarial, com reajustes trimestrais.”

Ele explica, porém, que será feita uma consulta a professores, funcionários e alunos. “O câmpus de Bauru fará uma assembléia unificada hoje, às 8h30, para decidir se aceita o índice. O resultado será encaminhado para a reunião de São Paulo.”

Prado Júnior diz que o Fórum das Seis realizará uma nova reunião na quinta-feira. “Nós iremos avaliar o que foi definido no encontro com o Cruesp e um indicativo de greve poderá ser aprovado.”

Para ele, o reajuste de 14,45% oferecido pelo governo confirma a avaliação do Fórum das Seis de que há reservas para aumentar esse índice. “O nível de comprometimento com a folha de pagamento gira em torno de 78% do orçamento das universidades, abaixo do limite que estabelecemos em conjunto com o Cuesp, que é de 85% a 87%.”

O professor explica por que defende aumentos salariais trimestrais. “No segundo semestre, o governo arrecada mais com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que define o orçamento das universidades estaduais. Além disso, há a questão da inflação.”

USP

O conselheiro da Associação dos Docentes da USP (Adusp) em Bauru, José Roberto Magalhães Bastos, diz que não há clima para greve. Segundo ele, o momento é de observação, tanto que o câmpus não realizou nenhuma assembléia até agora.

A representante do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) na cidade, Elaine do Amaral Godoi, descarta, pelo menos por enquanto, a paralisação dos funcionários da universidade. “Nós somos uma unidade hospitalar, o que torna a situação mais complicada. O que poderia ocorrer é uma movimentação estudantil, mas o nosso diretório acadêmico é pouco mobilizado.”

Ela diz que o índice de 14,45% não deve ser desprezado. “Não é uma proposta ruim. O que podemos reivindicar é uma valorização dos vales-alimentação.”

Godoi afirma que as assembléias devem ser realizadas mais adiante. “É preciso, primeiro, definir as pautas específicas de cada universidade.”

Alunos

A campanha salarial do Fórum das Seis inclui também melhorias para os estudantes, como aumento do número de bolsas de iniciação científica e de auxílio, restaurantes universitários e moradia. Há 20 dias, um grupo de estudantes ocupa uma das salas de aula da Unesp. Eles querem a construção de um alojamento.

O membro do Diretório Acadêmico Di Cavalcanti (Dadica), da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação do câmpus de Bauru, Alessio Esteves, participa do protesto. Ele diz que a inclusão dos alunos nas propostas discutidas com o Cruesp mostra um avanço dos professores e funcionários. “Eles se conscientizaram de que a melhoria do ensino passa também pelos estudantes.”

Ele acredita que pressionar o governo é a única maneira de conseguir a construção das moradias estudantis. “Mesmo que a verba seja aprovada, nossa intenção é permanecer acampados até que o alojamento esteja pronto.”

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Apeoesp

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial no Estado de São Paulo (Apeoesp) também está em campanha salarial para os profissionais que atuam no ensino fundamental e médio da rede estadual.

A coordenadora da subsede da Apeoesp em Bauru, Suzi da Silva, diz que uma reunião está marcada para hoje, em São Paulo. “Nós vamos conversar com representantes da Secretaria Estadual de Educação e apresentar nossas reivindicações.”

Segundo ela, uma assembléia da categoria está agendada para amanhã, quando os professores ficarão sabendo o que foi discutido no encontro com o governo. “Estamos programando uma paralisação para este dia. Durante o encontro, vamos debater quais serão os próximos passos.”

Entre as propostas da Apeoesp, estão o aumento do piso salarial, alterações na grade curricular, abertura de novos concursos e a derrubada do veto ao projeto que determina o máximo de 35 alunos por sala de aula.

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