Além de responderem por boa parcela das compras de automóveis no País - hoje esse índice já atinge a casa dos 40% -, as mulheres também começam a ingressar com força no segmento motociclístico.
É cada vez maior o número de mulheres que preferem motos aos carros na hora de investir dinheiro para adquirir um meio de transporte. Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas e Bicicletas apontam que, no início da década de 90, a penetração feminina no setor representava apenas 10% das comercializações, percentual que saltou para 17% em 2001.
Embora tal porcentagem tenha se estabilizado nos últimos anos, a participação do sexo “frágil” nas vendas de motocicletas tem acompanhado a evolução do mercado do setor, que desde 1992 registra recordes sucessivos.
Quem confirma tal tendência é o diretor executivo da Abraciclo, Franklin de Melo Neto. Ele considera que a criação, em 1993, do segmento das motonetas, também chamadas scooters, foi um dos principais motivos para a elevação da preferência das mulheres pelas motocicletas.
Melo Neto justifica que tal segmento é um dos “campeões” da predileção feminina. “Ele oferece um mix de produtos fáceis de dirigir e extremamente econômicos de combustível, que caíram no gosto das mulheres”, ressalta o diretor.
Através de sua assessoria de imprensa, a Honda também confirma tal evolução, sem citar números de vendas, e levanta algumas razões para explicá-la. “O público feminino vem conquistando igualdade de condições no mercado de trabalho, aferindo assim melhores possibilidades de ganho”, afirma o e-mail resposta da montadora.
O texto frisa, ainda, que jovens de 18 a 25 anos solteiras que trabalham durante o dia e estudam à noite também necessitam de um veículo acessível e econômico, assim como as profissionais de vendas buscam um meio de locomoção que lhes proporcione praticidade para transportar pequenos volumes, amostras e encomendas.
“Além disso, a mulher vem transformando a motocicleta em um veículo familiar: o marido e os filhos passam a adotar o veículo de duas rodas como solução prática para o dia-a-dia”, acrescenta a nota.
Termômetros
Apesar das duas principais fabricantes de motocicletas do País - Honda e Yamaha são “donas” de quase 100% das comercializações no Brasil - não divulgarem, estrategicamente, os números das vendas para mulheres, concessionárias e oficinas multimarcas são bons “termômetros” do mercado.
Na concessionária bauruense Super Moto/Honda, o integrante do departamento de vendas, Jorge Luiz Moura, atesta que os negócios para o público feminino intensificaram-se nos últimos cinco anos. “Elas estão mais presentes no mercado e atuando em diversas atividades, o que ajuda a explicar o crescimento”, destaca ele.
Além disso, Jorge sustenta que o alto preço dos combustíveis também é outra razão preponderante. Assim, modelos como a Biz e CG 125 são as preferidas. “São motos fáceis de guiar e econômicas, capazes de rodar, em média, até três vezes mais se comparadas aos veículos populares 1.0”, afirma.
O empresário bauruense Paulo Abelha, o Caju, atuou como concessionário exclusivo de uma marca durante quatro anos e, atualmente, é dono de um estabelecimento multimarcas. Durante o período, ele estima que o número de clientes femininas aumentou entre 30% e 40%. “Há quatro anos, de cada dez fregueses, um era mulher. Hoje, essa proporção subiu, em média, para três ou quatro”, assegura.
Para Caju, muito mais que superar o preconceito existente há pouco mais de uma década contra o fato de tornarem-se motociclistas, elas venceram uma batalha pela independência pessoal. “Além de ser uma opção viável financeiramente devido aos valores dos combustíveis, a moto é capaz de sintetizar e propiciar uma liberdade incomparável”, considera o comerciante.
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Praticidade
A esteticista bauruense Renata Alves, 29 anos, há mais de um ano tem nas motocicletas seu veículo preferido de locomoção. Depois de “perambular” um bom tempo com uma Crypton, trocou-a, em junho do ano passado, por uma YBR 125, ambas da Yamaha. “Não queria abrir mão da praticidade que uma moto proporciona, pois facilita demais a fluência no trânsito”, enfatiza ela.
A economia com a gasolina também pesou, conforme a esteticista. Renata calcula que, quando ainda era proprietária da Crypton, gastava entre R$ 20,00 e R$ 25,00 mensais com combustível. “Além disso, tinha uma grande autonomia, pois rodava muito. Entretanto, se eu andasse a mesma quilometragem com um carro, gastaria, no mínimo, três vezes mais dinheiro”, compara.
Apesar de ser uma fã confessa das motocicletas, Renata vendeu sua YBR quatro dias antes de conceder entrevista ao AutoMercado&Cia. “Apesar disso, pretendo adquirir outra moto o mais rápido possível. Não dá para ficar muito tempo sem ela”, garante a esteticista.
Além disso, ela não despreza os automóveis, pois brevemente pretende comprar um. “Ter moto é excelente em todos os sentidos. O único momento em que ela não ajuda é no frio, quando andar nela é tarefa complicada. Nessas ocasiões, prefiro um carro”, justifica. “Mas só enquanto o clima permanecer assim. Passado o frio, ela vai para a garagem e a motocicleta entra em cena de novo”, apressa-se ela em dizer.
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Paixão
Uma apaixonada por motos. Assim se define a atendente e universitária Ednéia Moreno Carvalho, 31 anos, que afirma já ter perdido a conta de quantas motocicletas já teve em sua vida. Mas a atual, uma Honda Biz, ocupa o lugar do carro em seu coração.
Para Ednéia, as vantagens das motos sobre os automóveis são enormes, mas a principal delas é a praticidade. “Com elas, não se perde tempo procurando vagas para estacionar. Você pode estar até atrasado que sempre encontrará um local para deixá-la. Ela facilita meu dia-a-dia, que é sempre corrido e não posso ficar perdendo tempo com tal tipo de problema”, considera ela.
Segundo a universitária, que também é habilitada para dirigir carros, estes só conquistam sua preferência na hora de encarar uma rodovia. “Com uma moto pequena não dá para se aventurar na estrada”, afirma Ednéia.