Se você ainda não viu o interessantíssimo “X-Men 2” vá ao cinema o mais rápido possível antes que “Matrix Reloaded”, que estréia amanhã no Brasil, domine a maioria das salas e se torne o assunto de todos os papos sobre cinema no País.
Do mesmo Bryan Singer de “X-Men”, lançado em 2000, o filme é uma das melhores seqüências de filmes já feitas na história do cinema (junto com “Império Contra-Ataca” e O Poderoso Chefão - Parte 2", talvez) ampliando o universo apresentado na primeira aventura, que a partir de agora pode ser encarada mais como uma bela introdução.
Para quem não conhece os heróis e vilões criados nos quadrinhos por Stan Lee e Jack Kirby, ou não viu “X-Men”, os personagens principais nessa história são mutantes, seres-humanos que por alguma razão não explicada (evolução da espécie, talvez) possuem poderes extraordinários variados.
Por serem diferentes - a aparência de alguns deles também varia entre o estranho e o grotesco - os mutantes não são aceitos na sociedade “normal”, por isso vivem isolados ou escondendo suas habilidades. No fundo, são como qualquer outra minoria: estrangeiros, homossexuais, deficientes... O que torna o tema mais contundente.
No primeiro filme, são mostradas as habilidades e as relações entre os “bonzinhos” mutantes, Wolverine (Hugh Jackman), Vampira (Anna Paquin), Jean Grey (Famke Janssen), Cíclope (James Marsden) e Tempestade (Halle Berry), orientados pelo professor Charles Xavier (Patrick Stewart); e os mutantes “do mal”, chefiados por Magneto (Ian McKellen), Mística (Rebecca Romjin-Stamos), Dentes-de-Sabre (Tyler Mane) e Groxo (Ray Park).
“X-Men 2” se aprofunda na história de alguns deles e começa a mostrar nuances de outros, além de apresentar novas caras como Iceman (Shawn Ashmore), Pyro (Aaron Stanford) - na verdade esses dois já haviam aparecido em pontas no primeiro filme - Lady Lethal (Kelly Hu) e, o melhor de todos, Kurt Wagner, o Noturno (Allan Cumming), que ao final do filme fica na memória do espectador tanto quanto Wolverine.
A trama gira em torno da perseguição oficial do governo dos Estados Unidos aos mutantes depois que o presidente americano sofre um atentado - a seqüência é a que abre o filme e já vale o ingresso pela criatividade e pelos efeitos.
Por trás da manobra contra os mutantes, que pode ter conseqüências mundiais, está o Stryker (Brian Cox), um general influente em Washington que tem um histórico particular envolvendo os X- Men. Contar mais que isso pode estragar as surpresas.
Não existe um detalhe que não seja superior nessa nova aventura, que começa exatamente após o final da obra anterior. Dos efeitos aos personagens, os chatos Dente-de-Sabre e Grouxo nem aparecem e o fraquinho Cíclope fica em segundo plano, por exemplo, tudo é mais amarrado, mais bonito e mais inteligente.
É fascinante como numa aventura tão pop, criada primordialmente para o público jovem, assuntos tão delicados como preconceito e racismo são tratados. Nada e ninguém é o que parece no filme, o que faz com que o espectador - como diz aquele genial comercial de tevê - reveja os seus conceitos. Que venha logo o terceiro.