Política

Renúncia livra Bueno da cassação

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O ex-vice-presidente da Câmara Municipal, Roberto Bueno (PTB), renunciou ontem, às 7h35, à função de vereador para escapar da cassação de mandato e garantir seus direitos políticos. A decisão suspendeu a realização da sessão legislativa, agendada para começar às 8h, que discutiria e votaria o pedido de cassação do mandato do vereador sugerido pela Comissão Processante (CP), que apurou denúncias de irregularidades na gestão do biênio 2001/2002.

Na sessão legislativa de segunda-feira assumirá a vaga de Bueno o primeiro suplente de vereador do PTB Paulo Agustinho. Roberto Bueno é o segundo parlamentar a renunciar ao mandato. Walter Costa (PPS) também preferiu optar por essa decisão. Osvaldo Paquito (PPS) e José Humberto Santana (sem partido) enfrentaram o plenário e foram cassados.

O ex-vice-presidente era acusado de ser o responsável pelo desmanche nas diretorias administrativa e financeira do Poder Legislativo, ato que teria facilitado a prática de irregularidades na Casa. Nessa denúncia, ele foi enquadrado por procedimento incompatível com o decoro parlamentar.

Também pesava contra o petebista o pagamento em duplicidade de um módulo de empilhamento adquirido pela Câmara em janeiro do ano passado ao custo de R$ 3.262,00. Para a CP, Bueno se utilizou do mandato para a prática de ato de improbidade administrativa.

O parlamentar procurou o presidente do Poder Legislativo, Renato Purini (PV), por volta das 19h55 de anteontem, pouco depois do encerramento da sessão legislativa semanal da Casa. Pediu a Purini que fosse até a sua residência e lá anunciou, ao lado da família, que na manhã seguinte entregaria sua carta renunciando ao mandato parlamentar.

E foi o que ele fez, mas através de seu advogado, Cláudio José Amaral Bahia, responsável pelo encaminhamento da renúncia à presidência da Câmara Municipal. Bueno não apareceu para acompanhar as formalidades da situação.

Logo após a oficialização da renúncia, a Comissão de Justiça, Redação e Legislação da Câmara se reuniu para avaliar a legalidade e a constitucionalidade do documento assinado pelo parlamentar. Seus vereadores decidiram, por unanimidade, pela legalidade da renúncia. O processo foi extinto, desobrigando a realização da sessão que julgaria o pedido de cassação.

Já na condição de ex-vereador, Bueno preferiu encaminhar à imprensa uma nota oficial, na qual fala da decisão “mais árdua, complexa e difícil” que precisou tomar. Afirma que a Câmara se tornou um “verdadeiro tribunal de exceção”, com veredito definido: “Culpado”.

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'Tentaram me destruir'

Já na condição de ex-vereador, Roberto Bueno garantiu ontem, em entrevista concedida ao Jornal da Cidade, que grupos políticos tentaram destruir sua carreira pública. Ele não citou nomes. O ex-parlamentar tomou a decisão de renunciar em conjunto com familiares e amigos. “Se eu perdesse o mandato e voltasse (à Câmara) pela Justiça, não conseguiria retirar o rótulo de vereador cassado”, justificou.

O petebista comentou que a alteração no comportamento de alguns vereadores que até então estavam lhe dando apoio também pesou na decisão. “Eles estavam preocupados com a sua posição, com a sua imagem perante a opinião pública. Daí que eu comecei a perceber e fazer uma avaliação. Foi uma luta interior comigo mesmo.”

O ex-vereador garantiu, ainda, que não leva mágoas do Poder Legislativo. “Eu não tenho no meu coração mágoa e nem vingança. Tenho muita facilidade em perdoar e esquecer aqueles que me fazem o mal.”

Com os direitos políticos garantidos, Bueno explicou que ainda não decidiu se pretende disputar as eleições municipais do ano que vem. “Hoje, não tenho cabeça para pensar nessa situação”, finalizou.

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