O ex-prefeito Antonio Izzo Filho (sem partido) negou ontem que esteja conspirando contra o prefeito Nilson Costa (PTB). Ele rebateu as acusações do presidente da executiva municipal do PPS, Rubens de Souza, que anteontem o acusou de se aliar ao vice-prefeito Dudu Ranieri (PFL) para tramar a cassação de Nilson.
O prefeito enfrenta um pedido de cassação de mandato sugerido pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Carne, cujo relatório conclusivo das investigações será votado na sessão legislativa de segunda-feira. Para aprovar o pedido são necessários 11 votos.
“Essa informação (de que está aliado a Dudu) não procede. Eu não estou fazendo absolutamente nada no sentido de provocar a cassação do prefeito”, garante Izzo.
Ele, porém, não nega que tem recebido a visita de um vereador, cujo nome não revelou, mas sabe-se que se trata de José Eduardo Ávila (PP).
“Mas nós (ele e o vereador) não conversamos sobre esse assunto (cassação). Nunca interferi no sentido de que se tome essa ou aquela atitude com relação a voto. Entendo que seja uma leviandade de quem fez essa afirmação.” O ex-prefeito diz que está “alheio” ao assunto.
Embora tente demonstrar que esteja distante dos assuntos pertinentes à política, Izzo não nega que, logo após sair da cadeia, se encontrou com o vice-prefeito.
“Estive fazendo uma visita ao Dudu. Eu o conheço há muito tempo. Fui professor no Liceu Noroeste (escola de propriedade do vice-prefeito) por pelo menos 12 anos. Foi uma visita em que não conversamos sobre a situação política atual. Falamos sobre a FIB (Faculdades Integradas Bauru, dirigida por Dudu) e do Liceu Noroeste”, conta.
Na época em que o então prefeito Izzo Filho enfrentava um processo de cassação de mandato na Câmara Municipal, Dudu Ranieri viabilizou a frente Fora Izzo, inclusive cedendo uma sala em um de seus prédios localizados no Centro da cidade.
Ao ser questionado sobre esse assunto, Izzo garante que não tem mágoas do vice-prefeito. “Não tenho mágoa dele e nem de ninguém”, finalizou.
“Pensamentos opostos”
O ex-vereador Rubens Spíndola, membro do diretório do PFL, também rebateu ontem a acusação do presidente do PPS, que vincula a relação de Izzo com Dudu Ranieri visando a cassação de Nilson Costa. O ex-parlamentar diz que a única relação entre os dois foi profissional, na época em que Izzo era professor no Liceu Noroeste.
“A tentativa desse senhor (Rubens de Souza) de vincular o Dudu com Izzo visa criar uma situação embaraçosa para o vice-prefeito perante a opinião pública. Garanto que essa informação não procede, mesmo porque Dudu e Izzo têm pensamentos opostos. Tanto é que o vice-prefeito participou ativamente da cassação de Izzo em 1998”, explica.
O pefelista afirma, ainda, que o vice-prefeito não tem se posicionado sobre a crise na administração municipal. “Ele (Dudu) não pretende tirar o prefeito na marra. Se o prefeito for cassado será em decorrência daquilo que ele plantou. Se ele (Nilson) plantou a falta de ética e de moral na administração, terá que responder por isso.”
Spíndola lembra, também, que o vice-prefeito até ajudou Nilson ao criticar publicamente as condições em que estava sendo fechado o contrato de fornecimento de marmitex aos servidores públicos municipais, fato que estabeleceu uma crise no seu relacionamento com o prefeito, cujo desfecho foi sua exoneração da presidência do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
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Izzista acha normal somar com o vice para cassar prefeito
O izzista Roberto Lima encara com naturalidade uma possível articulação do grupo político comandado pelo ex-prefeito Antonio Izzo Filho (sem partido) com o vice-prefeito Dudu Ranieri (PFL) visando a cassação do mandato do prefeito Nilson Costa (PTB).
“Que tipo de avaliação pode se esperar da gente? Se tiver que somar com o Dudu e o Izzo para tirar o Nilson, com certeza vamos fazer”, avisa Lima.
Ele, porém, garante que essa articulação não remete a promessas de emprego numa virtual administração de Dudu Ranieri. “Não queremos o nosso emprego de volta na prefeitura. Eu fiquei fora da administração por quatro anos e nem por isso passei fome e necessidade”, afirma.
Lima assume que tem conversado e pressionado alguns vereadores, os quais considera amigos, para que se posicionem a favor da cassação de Nilson Costa. “Se de um lado estamos pressionando pelo ‘fora Nilson’, do outro está o Rubens de Souza e o coronel Marsola (Antonio Sérgio Marsola, chefe de Gabinete da prefeitura) fazendo a articulação ‘fica Nilson’. Tenho certeza que vai imperar o bom senso.”
Já outro izzista, Pedro Valentim, avalia que as declarações do presidente do PPS, Rubens de Souza - que acusa o grupo do ex-prefeito de pressionar vereadores pela cassação do prefeito -, têm como objetivo “escamotear” a discussão sobre a gravidade da denúncia que pesa contra Nilson Costa.
“Quando o Rubens fala que somos ligados a um político, a um ex-prefeito, na verdade ele tenta escamotear a discussão. Dessa forma, ele desmerece também a cidadania, que é o direito de manifestação que todas as pessoas têm. E na galeria tem gente da CUT, do PSDB, de associações de moradores e de partidos políticos.”