Política

Estabilidade política tem novos apoios

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Lideranças do comércio de Bauru defenderam ontem o apoio à estabilidade política e institucional da cidade através da manutenção do mandato do prefeito Nilson Costa (PTB), ameaçado pela abertura de uma Comissão Processante (CP) na Câmara Municipal.

A governabilidade do município, considerada ponto crucial para o seu desenvolvimento, é defendida pelos dirigentes do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio), Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e da Associação das Empresas do Calçadão (AEC).

Anteontem, os diretores do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) também manifestaram apoio à governabilidade do município.

Para o presidente do SinComércio, Walace Garroux Sampaio, a situação econômica do País já impõe dificuldades ao comércio, quadro que pode se agravar se deflagrada uma crise institucional e política na cidade.

“Acho que antes de qualquer decisão (sobre o mandato do prefeito), a comunidade, através de seus segmentos, deve participar de uma discussão sobre o assunto. Nós vivemos hoje uma recessão mundial e Bauru tem um quadro crítico. Dentro desse quadro de crise mundial, nacional e agora ingressar com mais uma crise institucional, vamos ter prejuízos enormes para toda a cidade”, analisa.

Sampaio, porém, afirma que é preciso deixar claro que o quadro político atual não pode ser comparado com a situação vivida em 1997 e 1998. “Os fatos levantados guardam uma distância muito grande entre o que houve no passado e o que ocorre hoje. Embora me surpreenda o que aconteceu, a atual gestão prima pelo rigor e cumprimento de leis.”

O dirigente sindical lembra que em poucos meses se iniciará o processo de discussão sobre a sucessão municipal. Ele destaca, ainda, que as irregularidades apontadas na atual administração já estão sendo apuradas pela Justiça e pelo Ministério Público (MP) estadual e federal.

Risco de trauma

O presidente da Acib, Cássio Carvalho, também concorda com Sampaio. “A população, no meu modo de entender, não está mais disposta a enfrentar de novo o trauma de uma cassação. A cidade agora que começa a apontar para um rumo certo. Não podemos perder isso”, expõe.

Carvalho também avalia que a cassação de um prefeito é “algo muito sério”, que interfere na vida da população e do município. “Esse processo deve ser mais amplo. Deve envolver toda a comunidade, com discussão nas entidades representativas. É preciso discutir aquilo que é melhor para Bauru e não para a Câmara ou para o prefeito.”

Ele elogiou a promessa de abertura política do prefeito Nilson Costa, através do pedido que fez à Câmara por um voto de confiança, que seria a base para a formação de uma reformulação do governo. “Ele está abrindo o secretariado para fazer as composições. É preciso que os vereadores façam uma vigilância maior junto à prefeitura. E a oportunidade é essa. A apuração sobre a denúncia de irregularidade deve continuar, as punições devem ser aplicadas e a reposição de dinheiro ao erário deve ocorrer.”

O presidente da CDL, Sérgio Evandro do Amaral Motta, reforça o posicionamento dos colegas. “Acho que trocar o prefeito hoje provocaria uma crise muito maior do que a anterior. É impossível medir as conseqüências, mas com certeza serão mais graves em comparação com a situação anterior”, avalia.

Motta prevê, com a virtual crise institucional e política, a exposição de Bauru na mídia regional e nacional, fato negativo para todos os setores do município. “A experiência que tivemos no passado não foi boa. O município parou, o comércio também. Até hoje esse episódio é negativo.”

A preocupação das lideranças também está na paralisação dos projetos que estão sendo desenvolvidos em parceria com a administração. O presidente da Associação das Empresas do Calçadão, Francisco Alberto De Bernardis, destaca o projeto de revitalização do Centro da cidade.

“É uma discussão que ocorre há anos e já chegamos a algumas conclusões. E se isso for interrompido agora, justamente na época em que se prevê o cumprimento das próximas etapas das obras? Como vamos ficar? Mais quantos anos vamos perder para reiniciar todo esse processo?”, questiona.

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Gasparini apóia

O presidente da executiva municipal do PMDB, Alex Gasparini, reforçou ontem seu apoio ao prefeito Nilson Costa (PTB). O PMDB foi o primeiro partido a ser contatado por Nilson no projeto de reformulação administrativa e política de seu governo.

“Nós sentimos que esse momento é crucial para o futuro da cidade. E esperamos que o desfecho dessa situação seja benéfico para a sociedade”, diz. O peemedebista elogia a decisão dos representantes de vários segmentos organizados de apoiar a governabilidade do município.

“Achamos que todos os personagens já foram colocados no tabuleiro político. E todos nós sabemos quem são eles.” Para ele, uma virtual cassação do mandato de Nilson Costa não terá apenas reflexos na administração do município.

“Com certeza, essa virtual situação vai persistir por anos e anos, sem benefícios para ninguém. Todo erro deve ser corrigido e os culpados punidos. O que não podemos perder é a governabilidade da cidade”, finaliza.

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