Economia & Negócios

Greve na Saúde está mantida para 2ª

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Sem nenhum vitorioso, a queda-de-braço entre o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Bauru (Seessb) e a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) vai mesmo culminar em greve a partir das 6h de segunda-feira. A AHB, que compreende o Hospital de Base, a Maternidade Santa Isabel e o Hospital Manuel de Abreu, tem 1.400 funcionários.

Após audiência realizada ontem no Ministério Público do Trabalho (MPT), o procurador Luís Henrique Rafael, que mediou o encontro, afirmou que sindicato e associação estavam em clima “beligerante”.

Apesar do sindicato ter reduzido a reivindicação de reajuste de 37,25% para 20% (15% sobre maio, 2,5% em outubro e 2,5% em dezembro), a AHB manteve o percentual de 2% de reajuste oferecido desde o início das negociações. “O trabalhador está promovendo uma reivindicação justa, e a AHB tem também seus argumentos de dificuldade financeira”, avalia Rafael.

Segundo o procurador, o prejuízo ao atendimento público será minimizado por um termo assinado pelo Seessb, que se compromete a manter em atividade, no mínimo, 50% do pessoal das unidades de emergência e 30% dos funcionários dos demais setores.

De acordo com Rafael, se a greve persistir por mais de um dia, fiscais do Ministério do Trabalho avaliarão se os compromissos firmados estão sendo cumpridos e se não há abuso ou piquete.

Para a presidente do Seessb, Marilsa Sales Braga, além da falta de reposição salarial há dois anos, os funcionários estão descontentes com os salários da AHB em relação a hospitais da região. Segundo ela, os empregados da associação recebem, em média, R$ 200,00 a menos que seus colegas de outros hospitais.

“Eles (a AHB) alegam que estão desde 1994 sem reajuste da tabela do SUS, só que todos os hospitais de nosso País estão sem reajuste”, afirma Marilsa. E completa: “O funcionário não é obrigado a carregar o hospital nas costas”.

O diretor da AHB José Cardoso Neto sustenta a posição inicial da entidade: falta verba para repor os salários. “Nossa situação continua absolutamente a mesma. Se não tem condições econômicas, não tem condições de repassar”, diz.

Segundo o diretor, o faturamento da AHB é de R$ 3,1 milhões por mês, valor que seria insuficiente para suprir os gastos mensais - estima-se que a associação tenha um déficit mensal de R$ 200 mil a R$ 300 mil. Do faturamento total, 80% é proveniente do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com Cardoso Neto, a tabela do SUS está congelada desde 1994. Para uma diária, por exemplo, o diretor diz que a AHB recebe R$ 4,64. “O que você pode pagar com R$ 4,64 por dia?”, indaga. Segundo ele, os R$ 600 mil liberados pelo Estado para a AHB nesta semana estavam sendo esperados desde novembro do ano passado e, portanto, o recurso já estava comprometido.

Sem atrasos

Segundo Cardoso Neto, a AHB realiza uma média de 37 cirurgias diárias. Tendo em vista o compromisso do sindicato de manutenção de parte do pessoal durante a paralisação, o diretor afirma que esses procedimentos e o atendimento de emergência continuarão normalmente. Ele não soube precisar quantos atendimentos de emergência são feitos por dia.

Os procedimentos de “alta complexidade”, como hemodiálise e quimioterapia, continuam “normalmente e sem atrasos”, garante Cardoso Neto. “Nós vamos suprir com nossas estagiárias. São mais de 600 no total”, afirma.

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