Ser

Em busca do par perfeito

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 2 min

Você está só? Isso não serve de consolo para ninguém, mas saiba que por aí também tem muita gente sozinha. Talvez até esperando por uma pessoa como você.

“Toda hora tem gente procurando por namorado”, definem as psicólogas Jaqueline de Lucas Cury e Elcia Terezinha Rodrigues, que são sócias em uma agência de namoro de Bauru.

É claro que nos finais de semana e próximo ao Dia dos Namorados a ansiedade e a procura (até o desespero, mesmo) aumentam a freqüência de cadastros, entrevistas e aconselhamentos. No início da semana quando estivemos no local, repleto de anjos e cúpidos, a agência contabilizava 250 pessoas livres e desimpedidas procurando uma cara metade.

Mas se engana quem pensa que a pessoa que busca uma agência de namoro é aquela que não tem capacidade para arrumar um namorado. Em geral, se imagina gente feia, mal-sucedida. Mas ao contrário da nossa vã filosofia, o perfil dos candidatos é totalmente o oposto.

Segundo a psicóloga Jaqueline Cury, tanto homens quanto mulheres apresentam diferentes perfis. Uns são tímidos, outros não gostam de sair na noite, há aqueles que tiveram relacionamentos duradouros e perderam o rol de amigos e por isso não têm uma turma para sair e existem até aqueles que perderam o jeito de paquerar. Afinal, durante muito tempo tinham um grupo de amigos, geralmente formado por casais amigos. “E ninguém gosta de sair sozinho”, pondera Jaqueline.

“Uma coisa que a gente percebe nas entrevistas é que tanto homem quanto mulher ficaram muito preocupados em se dar bem na vida profissional, enquanto pessoa, buscando cultura, buscando o desenvolvimento dele enquanto ser humano, mas se esqueceram de cuidar do coração. Hoje, nós temos na agência pessoas super bem-sucedidas na parte financeira, social, cultural, profissionais de alto nível, gente da alta sociedade que não deu chance para alimentar suas emoções. Então, quando ele ou ela se percebem e tomam consciência, a idade já está por volta dos 40 anos e eles dizem que é difícil chegar em alguém ou alguém chegar até eles”, aponta Elcia Rodrigues, que tem 23 anos de profissão.

Hoje, não se busca mais somente uma pessoa solteira e sem filhos. O tabu foi derrubado. Mas em contrapartida, o que se pede são pessoas livres no papel, isentas de processos judiciais e pendências familiares.

Ao mesmo tempo, a noite não é mais o melhor lugar para se encontrar o amor da sua vida.

“O que muitos reclamam é que na noite não existe mais a perspectiva de relacionamentos duradouros. Hoje todo mundo quer ficar”, comentam as psicólogas. Elas citam o caso de um cliente separado que ao sair sozinho numa noite recebeu uma série de bilhetinhos, mas voltou decepcionado por não querer uma mulher que manda recados. “Ele buscava romance, conquista, paixão, não apenas estar algumas horas com alguém que nem conhecia.”

Comentários

Comentários